Obama, um rato de biblioteca que influencia leitores

Sejam sobre ele, ou seja por sua influência, as vendas de livros que tenham qualquer relação com Barack Obama deslancharam nos Estados Unidos desde sua vitória nas urnas, o que é visto com grande satisfação pelo mundo editorial que comemora o fato de ter, enfim, um grande leitor na Casa Branca.

AFP |

Os três livros publicados pelo próprio Obama ("A audácia da esperança", "Dreams from my father: a story of race and inheritance" e "Change we can believe in: Barack Obama's plan to renew America's Promise") ocupam os primeiros lugares da lista dos mais vendidos do "New York Times" na categoria "ensaios". Na seção de "literatura infantil", um livro ilustrado sobre o primeiro presidente negro dos Estados Unidos também lidera o ranking.

A obamamania também atinge dois ex-presidentes bastante simbólicos no imaginário americano: Abraham Lincoln (1861-65) e Franklin D. Roosevelt (1933-45). As obras sobre esses dois gigantes da História dos EUA sumiram das livrarias desde que Obama revelou, na TV, que mergulhou na trajetória de seus dois predecessores. Como ele, ambos chegaram ao poder em tempos de crise.

O livro de História mais vendido no site da Amazon é "Team of rivals", um estudo de Doris Kearns Goodwin sobre o governo Lincoln. Na 8ª posição, "The defining moment", dedicado aos 100 primeiros dias da presidência Roosevelt, ganha terreno.

"Isso faz parte de um interesse geral por Obama: tentar penetrar em sua mente para entender como ele vê o mundo", avalia o historiador Julian Zelizer, da Universidade de Princeton, destacando o fascínio dos americanos pela chegada de um intelectual à Casa Branca.

O ainda presidente George W. Bush não foi exatamente um leitor exemplar, nem será lembrado por isso - salvo, talvez, por "The pet goat", livro infantil que ele tinha em mãos, em 11 de setembro de 2001, em uma sala de aula, quando seus assessores lhe disseram que dois aviões tinham acabado de atingir as Torres Gêmeas em Nova York.

"É interessante ter, de novo, alguém que leia na Casa Branca. Não víamos isso há oito anos", comemorou o diretor de compras da livraria Politics and Prose, de Washington, Mark Laframboise. "Se Obama mencionar um livro na televisão, as editoras devem reagir rapidamente", frisou.

A editora Simon and Schuster precisou imprimir novas edições de "Team of rivals", assim como "Michelle", biografia da futura primeira-dama, escrita por Liza Mundy.

Para Obama, a sede de ler já se traduziu em ganhos de pelo menos 4 milhões de dólares, como ele declarou no ano passado no Senado, com sua autobiografia ("Dreams from my father") e com "A audácia da esperança", no qual ele expõe suas idéias sobre transformar a política americana.

E não deve parar por aí. A conta de Obama ficará ainda mais recheada com venda de "Change we can believe in", uma compilação de discursos, cujo título retoma o principal slogan de sua campanha à presidência.

Já os livros sobre seu adversário republicano na disputa presidencial, o senador John McCain, não têm mais saída. "Não podemos nem mesmo vender mais nada sobre a guerra no Iraque", disse Laframboise.

jit/bar/tt

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