OAB quer punição exemplar para militares envolvidos com mortes no Rio

BRASÍLIA - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Brito, disse na manhã desta terça-feira (17), que houve abuso de poder no caso os militares envolvidos com a morte de três jovens no Rio. Ele defendeu uma punição exemplar e pediu que, além das conseqüências penais, eles sejam expulsos da corporação.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Brito ainda criticou a atuação do exército na região e destacou que, conforme diz a Constituição, não é possível aceitar que os militares façam o trabalho da polícia, como o de investigação e patrulhamento ostensivo.

"Não há dúvida que houve abuso de poder. A punição tem que ser exemplar. Não só penal, mas como decretar a incapacidade deles continuarem no exército", disse. "Quando há poder demais para quem usa armas a democracia perde. O exército não pode ter poder de polícia", completou.

Por fim o presidente ponderou as críticas e comentou que apesar do fato "extremamente grave" a instituição não pode ser manchada por alguns de seus membros. "O exército está extremamente incomodado com a situação e não podemos confundir esses militares, que devem ser punidos, com o exército".

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

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