OAB entrega relatório sobre desovas no Alagoas

MACEIÓ ¿ A Comissão de Direitos Humanos da OAB deve entregar hoje, ao Ministério Público, um levantamento que aponta mais de 150 corpos encontrados em terrenos baldios e canaviais em todo o estado. O relatório foi feito no ano passado e revela dados sobre os assassinatos em Alagoas. O estudo aponta que em 2008, no período de janeiro a dezembro, 161 corpos foram encontrados em locais de desova. Desse total, 101 não chegaram a ser identificados. O perfil dos mortos que foram reconhecidos apontam que as vítimas são na maioria homens, negros, pobres e desempregados. O resultado do levantamento foi divulgado na última quinta-feira, e o relatório deverá ser encaminhado hoje ao Ministério Público do Estado com pedido de acompanhamento desses casos.

Agência Nordeste |

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas, Gilberto Irineu, estes mortos foram vítimas de pistoleiros ou de grupos de extermínio e, em sua maioria, os crimes tiveram como motivação a limpeza social, a disputa territorial pelo comércio de drogas ou brigas políticas. O advogado faz questão de frisar que os corpos desovados fazem parte da maldita cultura de morte que existe em Alagoas. Na realidade, este perfil de morte sempre existiu no estado, onde as desovas em canaviais, sítios, terrenos baldios, lixões sempre foram verificadas. Gilberto diz ainda que 'resolvemos dar ciência à sociedade desse fato e tentar, com as forças institucionais, romper esta cultura. Volto a frisar que iremos repetir este relatório todos os anos'.

De acordo com o levantamento, dos 161 corpos encontrados, 115 foram mortos a tiros, 23 por arma branca e 23 carbonizados. Foram encontrados 71 corpos em Maceió e 90 no interior, sendo oito em Arapiraca e sete em Rio Largo, cidade da Região Metropolitana da capital. A Secretaria de Defesa Social de Alagoas, por meio de sua assessoria, disse que foram abertos inquéritos policiais para investigar as responsabilidades sobre todos os corpos localizados no Estado e que alguns deles estão paralisados por falta de identificação da vítima.

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