As novas revelações sobre o suposto caso de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda acabaram com o clima de aparente tranquilidade em Brasília.


As acusações de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal, mobilizaram grupos de manifestantes na capital federal. Na rodoviária, localizada no centro da cidade, estudantes protestam contra o governador. Arruda, segundo sua assessoria, está na residência oficial e não vai se manifestar sobre o caso.

Em depoimento prestado no dia 02 de dezembro ao Ministério Público Federal, ao qual o iG teve acesso, Durval contou aos investigadores que o governador Arruda recebeu o equivalente a R$ 3 milhões em dinheiro e deu detalhes de como funcionaria o sistema de arrecadação. Durval também acusou o vice-governador, Paulo Octávio, de ter recebido R$ 200 mil da empresária Cristina Boner, dona do Grupo TBA. Diferentemente das demais acusações, devidamente registradas em vídeo, desta vez Durval não apresentou qualquer prova ou indicação de que a entrega do dinheiro teria sido realizada.

O caso Arruda é estarrecedor, afirma o senador José Agripino Maia (DEM-RN). Esses fatos novos só causam mais indignação e formam evidências para que seja dado andamento ao processo de impeachment. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, compartilha da mesma opinião. Para ele, a Câmara Legislativa do Distrito Federal está a cada dia e a cada evidência mais obrigada a analisar os processos de impeachment contra o governador Arruda.

Os pedidos, no entanto, só poderão ser apreciados pelos deputados distritais a partir do dia 11 de janeiro. Isso porque eles decidiram entrar em recesso e muitos já se ausentaram de Brasília. A Ordem dos Advogados do Brasil em Brasília já entrou com um requerimento para que a contagem de prazos dos processos levem em consideração essa paralisação. A OAB estuda medidas jurídicas contra essa decisão da Câmara, para que pelo menos os prazos fluam sem interrupção na Câmara Legislativa, disse a presidente da OAB-DF, Estefânia Viveiros. A Câmara tem que cumprir o seu papel, que ficou manchado.

Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, é um pouco mais descrente. A essa altura do campeonato, nada mais surpreende no caso Arruda, diz Abramo. Os caras usam a função pública como a casa da mãe Joana. É uma desfaçatez.

O presidente da OAB nacional, Cezar Britto, confessa também não ter sido pego de surpresa pelas novas acusações de Durval. Isso surge da forma como o Estado brasileiro é gerido, na base do compadrio, explica Britto. Precisamos mudar as regras do jogo político, da forma como se faz política hoje no País.

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