A escola de Shichahai em Pequim celebra as vitórias nos Jogos Olímpicos da jogadora de tênis de mesa Zhang Yining e da ginasta He Kexin, duas medalhas de ouro para o símbolo por excelência do sistema desportivo chinês, no qual o Estado é onipresente.

"Calorosas felicitações a Zhang Yining por suas medalhas de ouro", diz uma faixa colocada na entrada dessa escola, prestando homenagem à ex-aluna que conquistou dois ouros, em individuais e por equipes.

A outra é para He Kexin, que se impôs na prova por equipes e nas barras assimétricas.

"Com o passar dos anos, construimos um sistema desportivo completo e desta vez obtivemos bons resultados", se alegra Niu Decheng, diretor-geral adjunto do escritório de Deportes de Pequim que dirige a escola.

A Escola de Esportes Shichahai, nas margens do Lago Houhai, em Pequim, treina aproximadamente 600 ginastas e mesa-tenistas, sendo considerada a maior e mais importante fábrica de atletas chineses.

São 600 alunos e nove modalidades, que recebem disciplina militar. Apesar do rigor, freqüentar as aulas é o desejo de muitos na China e uma oporunidade para poucos.

As crianças são selecionadas em suas cidades de origem por descobridores de talentos esportivos. Feita a escolha, os pais são convencidos sobre a importância de liberar os filhos. Uma vez na escola, os alunos só podem ver a família nos fins de semana, com autorização dos professores.

Eles chegam aos 6 anos. Dependendo do esporte, ficam até os 27. Enquanto isso, não podem abandonar os estudos nem constituir família. A motivação vem de 68 campeões mundiais e olímpicos, todos ex-alunos.

A rigidez na escola pode não ser uma prática institucionalizada; mas os treinadores recebem bônus caso seus atletas consigam medalhas de ouro, deixando entrever a possibilidade de eles pressionarem seus alunos ao limite.

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