O retorno ao mundo dos solteiros

O retorno ao mundo dos solteiros Por Humberto Maia Junior São Paulo, 24 (AE) - Um dia Renato* se tocou. O casamento de dez anos já não existia.

Agência Estado |

Comunicar a separação à mulher foi fácil. "Eu levantei a bola, ela cortou." Finalmente, era um homem livre. Mas, ah, como é difícil a vida de solteiro. Primeiro, teve de ir atrás dos velhos amigos. Em seguida, descobrir qual o local da azaração. Lembrava da Rua Franz Schubert, próximo à Avenida Cidade Jardim, em São Paulo, cheia de bares e casas noturnas. Isso na década de 90. No século 21, a rua tem outro perfil. Encontrou os lugares da moda.

Próxima dificuldade, como se aproximar de uma mulher. Na sua época de solteiro, isso ocorria durante as músicas lentas. "Era quando as coisas podiam acontecer." Hoje, a aproximação é na base do xaveco. Nem aprender isso deixou as coisas mais simples. Aos 36 anos, Renato estava longe de ter um tipo físico atraente. Ele e as mulheres de sua faixa etária. Muitos podem não concordar mas, para Renato, não ficava nada bem ver homens e mulheres quase quarentões na "caça". E agora, Renato? O que fazer?

Esquecer os traumas, adaptar-se à nova realidade e saber o que dizer na "hora H" são algumas das dicas da psicóloga americana Laurie Helgoe. Com a experiência de personal trainer amorosa, ela escreveu o livro 'De Volta ao Mercado - reaprendendo a namorar depois da separação' para quem acabou de terminar um longo relacionamento e se vê perdido no mundo dos solteiros.

O terapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Junior concorda que são muitas as dificuldades a serem superadas. Ele explica que a mudança no estado civil é uma mudança de identidade social complexa. "Isso depende de tempo e de assimilação por si próprio e pelos outros à volta, que nem sempre facilitam o processo." Para quem pensa em casar logo: a readaptação é mais fácil para quem tem experiência como solteiro.

Em entrevista à reportagem, a autora dá quatro dicas para quem saiu traumatizado de um relacionamento: conversar com amigos sobre a tristeza e, em caso de depressão, consultar um psicanalista; se valorizar e não aumentar o sofrimento; desenvolver a auto-estima - seja relembrando os sucessos amorosos do passado, renovando o guarda roupa, indo à academia; e, por último, se divertir quando for a um encontro.

Renato conseguiu se readaptar retomando amizades do passado. Há dez meses namora um antiga amiga. "Dei uma baita sorte", admite. Agora, a nova etapa é se readaptar ao papel de namorado, com mais limites do que o de marido. "Nunca tinha dormido na casa de uma namorada. Não posso me comportar como marido."

A dentista Rosinês Maradei, de 46 anos, separada há um ano do marido com quem viveu por 17 anos, ainda não se readaptou. Ela tem amigas, sai para dançar, etc, mas ainda não se habituou à forma como os homens chegam para abordá-la. Madura, com um filho seis anos e de e uma filha de dez, Rosi ainda não encontrou outra pessoa, e diz que não pretende ficar fazendo experiências."Tem de ser uma pessoa bem legal."

BOXE

Minientrevista com a escritora Laurie A. Helgoe. Confira a seguir:

SUA VIDA: Qual a principal dificuldade em voltar a se relacionar?

LAURIE: Esquecer o passado e se abrir para o novo. As pessoas tendem a pensar que as coisas vão acontecer da mesma forma que antes. Vale destacar que é muito importante aprender com o passado, ver o que não funcionou no relacionamento e como você pode evitar que ocorra novamente.

SUA VIDA: Quem tem mais dificuldade, homens ou mulheres?

LAURIE: Pode parecer surpreendente, mas os homens. As mulheres costumam ter mais amigos íntimos e familiares para se abrirem. Os homens tendem a confiar apenas em suas mulheres e, quando se divorciam, se sentem perdidos em não ter com quem conversarem. Se tentam superar a tristeza se fazendo de "durões", se sentem ainda mais sozinhos. As mulheres têm medo em aparentar velhice e, com isso, serem menos atraentes aos homens. Se não têm filhos, receiam nunca engravidarem. Também se preocupam com questões financeiras, especialmente se o marido trabalhava e ela cuidava dos filhos.

(* Nome fictício)

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