O pânico foi geral, diz brasileiro que está no Chile

O trader Phillipe Spiandorin, de 38 anos, dormia no quarto de um hotel em Las Condes, uma das 32 comunas de Santiago, quando por volta de 3h50 despertou com a sensação de um tremor distante. Deve ser algum caminhão ou obra, pensou.

Agência Estado |

  • Passa de 120 o número de mortos em tremor no Chile
  • Errado. Como uma onda subterrânea, o tremor aumentou e chegou forte. Spiandorin, que mora em Jundiaí, no interior de São Paulo e estava no Chile a trabalho desde a última quinta-feira, dia 25, saltou da cama ao mesmo tempo em que ela começou a balançar.

    AFP
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    Os copos tremiam, o barulho crescia, os quadros caíam das paredes. Pratos, televisão e o lustre do quarto foram para o chão. Tudo em frações de segundos. "Eu não conseguia me manter em pé, a sensação era de que o chão ia ceder a qualquer momento", contou ele à Agência Estado, por telefone.

    Os arredores de onde Spiandorin está em Las Condes ficaram sem energia elétrica da madrugada até o início da manhã deste sábado. Ofegante, com a roupa que dormia e descalço, o rapaz cambaleou até a saída de emergência do 11º andar, onde estava instalado. "Minhas mãos tremiam, alcancei a chave, destravei a porta e tudo ao meu redor caía. As paredes começaram a rachar. Queria alcançar as escadas e, sendo jogado de um lado para o outro, corri para baixo do prédio assim que consegui. Caí de costas várias vezes no caminho", conta.

    Quando estava no 3º andar, a energia elétrica acabou. "Aí pensei que ia morrer mesmo. Era um monstro gigante que ia nos engolir, essa era a sensação. O medo de que o prédio fosse cair era imenso", diz. "Todo mundo gritava, chorava, o pânico foi geral. As informações estavam desencontradas. Encontrei um senhor e demos as mãos. Ajudamos uma senhora que pedia ajuda. O barulho era ensurdecedor", acrescenta.

    Ao alcançar a rua, Spiandorin viu pessoas correndo por todos os lados. "Deu uma vontade de falar com as pessoas que amo. Minha mãe, meu filho, meus irmãos... mas eu estava na rua, de cueca e camiseta, descalço, tentando ficar vivo por instinto."

    Sozinho, afirma caiu no choro, como um desabafo, quando se deu conta de que era um sobrevivente. Naquele momento, um casal de sérvios aproximou-se para saber se ele precisava de ajuda. "Ofereceram-me uma jaqueta. Eu nem sentia o frio. Mas agradeci com um abraço", relatou. O casal retribuiu e abrigou Spiandorin em sua casa. "Eles disseram que, embora assustados também, nada se comparava aos bombardeios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em seu país."

    Após conseguir dar notícias à família, o maior desejo de Spiandorin é de voltar para casa.

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