O humor corrosivo de Ionesco continua atual em seu centenário

A França presta homenagem ao dramaturgo de origem romena Eugène Ionesco, que teria completado 100 anos este mês, com uma exposição que celebra uma obra marcada por seus medos e seu humor profundamente corrosivo.

AFP |

A exposição na Biblioteca Nacional da França comemora não apenas o centenário do nascimento do autor de "A cantora careca" - falecido em Paris, em março de 1994 -, como também a entrada para o acervo da instituição dos arquivos pessoais do dramaturgo, doados por sua filha, Marie France Ionesco.

Através de cerca de 300 objetos - manuscritos, textos, cartas, fotos, desenhos, filmes -, a mostra revela o complexo personagem que foi Ionesco, assim como suas obsessões, principalmente seu medo da morte, que teve como consequência uma busca incansável por Deus.

"Em minha angústia pessoal, encontro o medo da morte, e também a maneira de amar, que é mesma de qualquer homem, em qualquer época", declarou Ionesco em uma entrevista que pode ser ouvida na exposição ate 3 de janeiro.

"A cantora careca", sua primeira obra apresentada pela primeira vez em 1950, reflete essas obsessões.

Como Samuel Beckett, Ionesco pertence ao movimento "teatro do absurdo", termo que, segundo muitos estudiosos, não satisfazia o dramaturgo, que preferia a caracterização de "teatro do escárnio".

Ionesco também é dono de um recorde mundial: o pequeno Teatro de la Huchette, no coração do Latin Quartier, o bairro latino de Paris, apresentada todas as noites, desde 1957, duas de suas obras: "A cantora careca" e "A lição".

Além da exposição na Biblioteca francesa, palestras e espetáculos celebram o centenário desse criador, que foi sacrificado inicialmente pala crítica, a mesma crítica que agora aplaude sua maneira única de unir a mais profunda desesperança com um humor dos mais absurdos.

bfa.ame/cn

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