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O estresse engorda?

O estresse engorda? Por Por Daniela Ávila Hueb (*) São Paulo, 19 (AE) - Até algum tempo atrás se acreditava que o estresse era usado por várias pessoas como uma bela justificativa para o porquê dela estar acima do peso. A novidade, no entanto, é que a ciência evolui e pesquisas recentes comprovaram que alguns gordinhos tinham razão: o estresse realmente pode engordar.

Agência Estado |

Porém, antes de sair por aí usando isso com uma muleta para se acomodar com o sobrepeso ou com a obesidade, saiba que se trata de um fator real e que necessita de tratamento.

O estresse é sinônimo para tensão e agitação. Em fisiologia, ou em condições de saúde, significa uma situação essencial à vida, ou seja, uma reação não específica do organismo a qualquer exigência. Ele começa a ser patológico quando ultrapassa uma faixa de normalidade além da essencial à sobrevivência. Na pré-história, essa situação de estresse podia ser ilustrada facilmente pela cena clássica de matar (atacar) ou morrer (fugir) entre homens e animais.

Hoje, no entanto, não precisamos mais sair à caça do nosso alimento, mas os desafios da sobrevivência passaram a ser tão árduos quanto. Somos pressionados para cumprir metas intelectuais ou mesmo braçais, dependendo da profissão. Estressamos por não obter sucesso da concorrência, pelas buzinas no trânsito, pela infeliz dependência de pessoas de competência limitada, pelo mau desempenho sexual, pelo próprio desprezo social. Sofremos ainda com o relacionamento estremecido com amigos e ou familiares, com a carência afetiva e desamparo, com o mau comportamento dos filhos e até com a cobrança com a nossa aparência física.

Quando estamos acima do peso, por exemplo, estressamos por vergonha de entrar numa loja para comprar roupas de numeração maior do que as normais, pelo preconceito contra os obesos, por não haver poltrona adequada tanto em ônibus quanto em aviões. Outras situações também podem despertar tensões, como os comentários e apelidos jocosos por ser mais conhecido por ser gordinho ao próprio nome, por não conseguir descansar e dormir devido à apnéia do sono e também pelas várias doenças que têm a obesidade como base, como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e resistência insulínica.

O estresse por si só não nos faz engordar. O que faz o ponteirinho da balança subir é quando esse nível se pronuncia de forma excessiva, provocando uma pane interna no sistema orgânico. Quando estamos muito estressados as glândulas supra-renais, aquelas situadas sobre os rins, liberam os principais hormônios do estresse: a adrenalina e o cortisol, aquelas mesmas que nos preparam para lutar ou fugir. Quanto mais estressados estamos, mais aumenta a produção desses hormônios, a aceleração do metabolismo, a respiração e os batimentos cardíacos.

Além disso, durante esse período sentimos mais fome e necessidade de consumir alimentos ricos em carboidratos e gorduras não saudáveis porque eles fornecem energia mais rapidamente. O estresse também aumenta o nível de glicose no sangue e a produção de insulina pelo pâncreas faz com que o intestino e a bexiga não funcionem corretamente, podendo provocar inchaço e acúmulo de gordura.

Na pré-história, os homens não engordavam facilmente porque eram forçados a correr, lutar ou fugir, o que ajudava a gastar este "boom" de energia proporcionada pelo estresse. Nos dias de hoje, no entanto, as pessoas estressam e não gastam esta energia extra, por isso engordam tão facilmente.

Os alimentos não podem ser encarados como nossos inimigos, embora o medo de engordar já desencadeie um estresse por si só. Porém, um simples e prazeroso jantar não deve se transformar num momento de grande tensão, pois isso tende a aumentar as chances de ganhar uns quilinhos a mais.

Isso não significa que devemos apenas relaxar e sair comendo tudo o que vemos pela frente. O que irá determinar o ganho ou não de peso é a qualidade dos alimentos que ingerimos. Alguns colaboram para acelerar o metabolismo, como grãos e cereais integrais, peixes e carnes magras, gorduras insaturadas e alimentos fibrosos, como frutas, verduras e legumes. Outros, no entanto, contribuem para a sua desaceleração, como gorduras animais (as saturadas), leite e derivados, alimentos industrializados e que contenham gordura trans, como pão francês, biscoitos, doces, massas e açúcares, entre outros.

O controle do estresse é apenas um dos fatores que pode influenciar no emagrecimento. Porém, o que realmente faz o peso baixar é o controle efetivo do apetite, a alimentação correta para combater os radicais livres e o processo inflamatório intenso, a prática de atividade física moderada, o equilíbrio e sintonia dos vários hormônios, inclusive os tireoidianos.

Não deixe a saúde de lado com a desculpa de falta de tempo. Se não arrumar uns minutinhos para cuidar hoje da saúde, amanhã precisará de um momento forçado para cuidar de uma doença. Pense melhor quando o assunto é o cuidado com o seu corpo e bem-estar e não espere para valorizá-los apenas quando estiverem ameaçados. Até mesmo porque isso gerará mais estresse e você poderá engordar mais ainda.

(*) Daniela Ávila Hueb é médica graduada pela Universidade de Alfenas, com especialização em Clínica Médica na Santa Casa de Ribeirão Preto (SP); em Dermatologia pela Fundação Carlos Chagas (RJ); e Nutrologia pela USP de Ribeirão Preto (SP), especialidade médica voltada ao diagnóstico, prevenção e tratamento de enfermidades nutricionais e orientação sobre alimentação para melhora energética, correção do peso e aumento da longevidade. Cursou também Medicina Estética na Argentina e nos Estados Unidos e foi chefe do Centro de Saúde de Piratininga (SP)
(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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