Número de mortes provocadas por policiais aumenta em São Paulo em 2008, diz estudo

SÃO PAULO - Aumentou o número de mortes provocadas pela polícia de São Paulo quando se comparam os primeiros semestres de 2007 e 2008. O número subiu de 201, em 2007, para 245, em 2008, de acordo com artigo do relatório publicado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, nesta quinta-feira.

Redação |

Acordo Ortográfico

O artigo dos pesquisadores Adriana Loche e Leandro Siqueira, que cuida da questão da segurança pública, mostra, ainda, que o número de policiais mortos em confrontos caiu de 15 para 14 entre os primeiros semestres de 2007 e 2008. A tendência decrescente seguiu no número de homicídios dolosos, que caiu 13% no mesmo período.

Ao apresentar as estatísticas, os pesquisadores ressalvam o que chamam de subestimação do número de mortes provocadas por agentes policiais. Segundo o artigo, alguns casos de violência por parte de policiais são registrados como homicídios em geral, porque as circunstâncias em que foram cometidos deixam uma brecha para isto. Ainda assim, eles destacam que as estatísticas oficiais em si revelam a arbitrariedade e o uso excessivo da força letal pelas forças policiais.

Outra estatística exposta é que, em todo o ano de 2007, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo contabilizou 444 mortes de civis provocadas por pelas forças policiais do Estado (seja em serviço ou fora de serviço). Nestas ações, foram 33 policiais mortos, o que representa uma média de 13,5 civis para cada policial morto.

Diante destes dados, Loche e Siqueira apontam estudos internacionais que indicam que quando a estatística de civis por policias mortos é superior a 10, a polícia usa a força letal de maneira desproporcional à ameaça.

O estudo conclui que, apesar da diminuição da violência na sociedade, a violência policial não diminuiu, com a ressalva de que o número de atentados contra policiais também se manteve estável. Os pesquisadores destacam que esta situação não é um caso isolado de São Paulo. Ela se repete em outros Estados como Rio de Janeiro e Pernambuco.

A Secretaria de Segurança Pública foi procurada pela reportagem do Último Segundo e informou que não se posiciona sobre relatórios de direitos humanos.

Leia mais sobre: segurança pública - direitos humanos

    Leia tudo sobre: direitos humanossegurança pública

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG