Número de mortes nas estradas federais cresce pela primeira vez no ano

A seqüência de queda dos números referentes à violência nas estradas foi quebrada no feriado de Tiradentes. Da 0h de sexta-feira até meia-noite de segunda-feira (21/04), a Polícia Rodoviária Federal registrou 1.837 acidentes, 1.214 feridos e 97 mortos nos 61 mil quilômetros de rodovias federais. Foi a primeira vez no ano em que o número de vítimas do trânsito superou período equivalente de 2007.

Redação |

Motivos

Os motivos para esse aumento, segundo a Polícia Rodoviária Federal, foram as fortes chuvas, que atingiram Estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro; o número de policiais para realizar a fiscalização também foi menor. De acordo com levantamentos preliminares da instituição, o número de policiais ficou abaixo do necessário para operações realizadas em feriado, quando aumenta o tráfego de veículos nas estradas. 

Desde janeiro, todo o quadro de servidores da Polícia Rodoviária Federal tem dobrado a escala de horas trabalhadas a cada feriado. Em quatro meses, foram quatro operações especiais, sem contar as datas festivas regionais. A indisponibilidade de mão-de-obra vem exigindo que a polícia cancele as folgas da equipe.

Durante finais de semana prolongados, todos aqueles que atuam na atividade operacional são submetidos a acréscimos de 50% a 100% na carga de trabalho. Servidores administrativos, que cumprem escala diária nas unidades de gestão da polícia, também vêm sendo convocados para fiscalizar o trânsito nas operações especiais. A compensação das horas de descanso ocorre sob critérios da administração, que privilegia o interesse público. Mas, segundo a polícia, "é fato que a fórmula está se esgotando".

Imprudências

Além dos problemas internos, grande parte dos usuários das rodovias também não colaborou. Nem mesmo as 100 mil multas aplicadas no período foram suficientes para conter a imprudência de muitos motoristas.

Gráfico divugado pela PRF
No Pará, por exemplo, na saída para o feriado, um veículo de passeio foi surpreendido, durante ultrapassagem proibida na BR 153, município de Marabá, por uma carreta e três pessoas morreram. Na Bahia (BR 407), o motorista de um caminhão carregado com tubos de aço perdeu o controle do veículo e bateu em dois ônibus lotados. Mais três vítimas fatais. Em Embu/SP, uma motocicleta trafegando pela contramão às 2h da manhã, em plena Rodovia Régis Bittencourt (BR 116), colidiu com um automóvel causando a morte instantânea do piloto. E no Rio Grande do Sul, duas colisões frontais provocaram a morte de seis pessoas. Na ocorrência mais violenta, em Passo Fundo, uma ambulância invadiu a pista contrária e bateu violentamente em uma caminhonete. Com o choque, os quatro ocupantes do carro de resgate morreram e duas pessoas que estavam no outro veículo ficaram gravemente feridas.

Estados mais violentos

Os Estados com mais acidentes foram Minas Gerais (284), Santa Catarina (203), Rio de Janeiro (167), São Paulo (161) e Rio Grande do Sul (155). O ranking de mortes é liderado por Rio Grande do Sul e Bahia (11), seguidos por Minas Gerais e Rio de Janeiro (10), Santa Catarina e Pará (06), São Paulo e Pernambuco (05), e Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Norte (04). Já o gráfico de feridos é encabeçado por Minas Gerais (207), Santa Catarina (148), Rio Grande do Sul (108), Bahia (83) e Paraná (73).

Ação preventiva

Diante do elevado números de acidentes e vítimas do trânsito registrados nas rodovias federais, a Coordenação-Geral de Operações da Polícia Rodoviária Federal decidiu criar uma Comissão Nacional para Estudo dos Acidentes Rodoviários.

O grupo de trabalho, composto por técnicos de vários Estados do País, reúne engenheiros, físicos e até psicólogos que tentarão compreender os motivos por trás das ocorrências mais graves. Já sabemos que quase todos os acidentes nas rodovias são, na verdade, desastres de trânsito. Seriam acidentes se um meteorito caísse sobre um carro em movimento, ou se um terremoto abrisse uma rachadura e tragasse quem estivesse passando pela estrada. Nas rodovias brasileiras, os motoristas têm sido os grandes agentes dos seus próprios desastres e constroem um cenário em que a catástrofe é previsível, afirma o inspetor José Roberto Soares, Coordenador de Controle Operacional da PRF.

O objetivo do grupo de trabalho será prever onde o desastre pode ocorrer, concentrando a fiscalização sobre determinado público em locais específicos da rodovia, completa o coordenador.

A tendência de crescimento da violência no trânsito vem sendo comprovada mesmo em períodos normais do calendário. Em abril, por exemplo, a Polícia Rodoviária Federal registrou no primeiro final de semana do mês, entre os dias 4 e 7 de abril, 111 mortes, contra 97 do feriado de Tiradentes.

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