Novos (velhos) hábitos que melhoram a saúde do meio ambiente Por Giuliana Reginatto São Paulo, 18 (AE) - José já nasceu ecologicamente correto. Com apenas um ano, o bebê da família Saito ajuda a preservar o meio ambiente usando fraldas de pano no lugar dos modelos em plástico.

" Quando adotamos a fralda de pano meu marido reclamou um pouco, mas acabou se acostumando. Agora, o desafio dele é ficar sem a carne vermelha", conta Thais Saito, de 27 anos.

A comemoração do primeiro aniversário do garoto foi uma celebração da natureza: nenhum descartável fez parte da festa. "Não tivemos bolo para evitarmos aqueles pratinhos e garfinhos de plástico. Servimos muffies. Preparei a maioria dos quitutes, feitos à base de produtos orgânicos. Para os copos, pensei em pedir que cada convidado trouxesse sua canequinha, mas achei que não funcionaria. O jeito foi fabricar alguns recipientes à base de garrafas pet", lembra.

Para criar suas vasilhas ecológicas, Thais pediu que os amigos guardassem suas garrafas de refrigerante. "A idéia era gerar o mínimo possível de lixo", diz. Ela conta que começou a se preocupar com medidas ecológicas quando a primogênita Melissa nasceu, há cinco anos. "Quando estava grávida vi um documentário sobre a água e aquilo me tocou. Começamos a mudar os hábitos aos poucos, economizando água. Consigo fazer isso com medidas simples, como tomar banho junto com as crianças", exemplifica.

O preço que a família, composta ainda por João, de três anos, paga pelo consumo consciente são horas a mais no supermercado. "Leio o rótulo todo antes de comprar para saber se uma bolacha não é transgênica. Também presto atenção nas embalagens: tento levar a menos impactante para o ambiente, sem muito plástico ou isopor. Uma compra pequena, semanal, acaba levando quase duas horas. É tudo questão de hábito. No primeiro mês você acha ruim separar o lixo e levá-lo para reciclagem, mas depois se acostuma."

SACOLINHA DE SOMBRINHA
Quando os amigos começaram a se engajar na causa das baleias e em outros grandes grupos da moda, a designer Daniela Bueno, 34 anos, criou a comunidade virtual "Ecologia no meu dia-a-dia". Agora, na onda de sacolinhas retornáveis, inovou outra vez: as dela são feitas de sombrinhas velhas, costuradas pela mãe. "É preciso descosturar a sombrinha toda e remontar os pedaços. Fica bonita e mais fácil de carregar do que a de plástico", diz. Ela também descobriu utilidade nos frascos de homeopatia. "Tinha mais de 20 vidros. Devolvi para a farmácia, para que pudessem reutilizar."

Na hora de comprar legumes, Daniela prioriza o varejão do bairro. "Prefiro comprar de produtores regionais do que de grandes redes, diminuindo o consumo de combustível no transporte dos produtos. Os alimentos são vendidos a granel, sem embalagens de plástico", observa. Ela também tem dicas de higiene pessoal. "Ao invés de usar condicionador, opto pelo creme para pentear e economizo uns 10 minutos no banho. As ações individuais surtem mais efeito do que a pressão dos grandes protestos ecológicos. A postura militante nada resolve se a ecologia não for aplicada em nossa prática diária."

RECICLAGEM E ABSORVENTE ECOLÓGICO
Os impulsos ecológicos de Pedro, de 3 anos, são herança de família. Na casa dos Giomo, consumo consciente é uma lição compartilhada. "Quando minha filha mais velha, de 12 anos, começou a menstruar sentamos ao computador para descobrir quanto tempo o absorvente leva para se degradar no meio ambiente após ser descartado. A pesquisa não só a convenceu a usar um absorvente de pano, confeccionado por mim, como fez com que ela divulgasse a idéia entre as amigas", lembra Elisabete, mãe das crianças.

O plástico foi banido até dos sacos de lixo dos banheiros . "Usamos saco de papel, que é absorvente e não deixa cheiro. Também compramos sabão biodegradável e só consumimos um tipo específico de carne, da raça rubia galega, que tem menos colesterol."

Elisabete enfatiza que a família também se preocupa com o uso de descartáveis. "Temos sempre uma caneca dentro da bolsa e no Natal presenteamos todo mundo com canequinhas de alumínio. As pessoas ficaram condicionadas ao uso de descartáveis porque não sabem de onde o produto vem e nem para onde vai.

Quando se entende o ciclo, passa-se a repensar o hábito. O mesmo vale para o lixo eletrônico. Em casa, só se compra celular novo se o antigo quebrar. Para os brinquedos, evitamos modelos com pilhas, que são difíceis de descartar. Nós também separamos o lixo e levamos juntos para a reciclagem. Despertar para essas questões não significa ser hippie ou ‘ecochato’. Somos uma família urbana, temos carro. O mais importante é ter uma postura de aprendizado", finaliza.

Boxe:
FAXINA VERDE
A estudante Marina Oliveira, 21, tem uma receita ecológica para limpar a casa. "O resultado é bom e o produto é barato. Com R$ 5 se faz cinco litros. Minha empregada aprendeu e aplica na casa dela", conta. É só misturar os ingredientes:

1 litro de água
1 pitada de sal
2 dedos de vinagre banco
6 gotas de limão
4 colheres (das de chá) de bicarbonato de sódio

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