Novos contrato como o do U2 ameaçam os promissores negócios fonográficos

A tendência da indústria fonográfica de fechar negócios milionários com estrelas da música a longo prazo sofreu um choque depois que a banda irlandesa U2 incluiu uma cláusula em seu contrato de compra de ações que custará a seus sócios na produtora Live Nation 19 milhões de dólares.

AFP |

O grupo do vocalista Bono Vox decidiu vender os 25 milhões de dólares em ações da Live Nation, adquiridos quando o U2 assinou o contrato com a produtora de eventos.

Entretanto, com a crise financeira essas ações tiveram seu valor reduzido a 6,3 milhões de dólares - mas quem vai responder pelos 19 milhões restantes é a própria Live Nation.

O U2 foi o último de uma série de bandas e artistas a assinar esse tipo de contrato promissor na sede da Live Nation, em Beverly Hills, em março deste ano. O acordo fechado inclui 12 anos de cobertura de todos os shows do grupo, além da comercialização de merchandising e da manutenção do site oficial.

Pouco antes, a Live Nation havia assinado um contrato semelhante com Madonna e com o rapper Jay-Z, por 120 e 150 milhões de dólares respectivamente, segundo estimativas da imprensa especializada.

Num momento em que a venda de discos despenca a olhos vistos, esse tipo de acordo visava à multiplicação das fontes de lucros e à preservação da viabilidade econômica da indústria musical.

Na quarta-feira, contudo, a Live Nation sofreu um duro golpe, quando o U2 exerceu seu direito de vender por 25 milhões de dólares as 1,6 milhão de ações da empresa, tal como constava no contrato assinado em março.

O problema é que a ação da Live Nation vem sofrendo uma queda monumental há um ano, e agora mais ainda com a crise financeira. O panorama pode ficar ainda pior para a produtora caso Madonna siga o exemplo dos irlandeses, já que seu contrato possui a mesma cláusula de garantia.

O presidente da Live Nation, Michael Rapino, minimizou o alcance da perda. Com o anúncio de que o U2 lançará seu novo disco em março, a empresa destacou que a turnê do grupo será o suficiente para cobrir o investimento.

"Madonna e U2 são os dois únicos contratos que contam com esta cláusula", disse Rapino ao Wall Street Journal. "A atividade comercial de Madonna é excelente, e esperamos recuperar nossos investimentos com o U2 no próximo ano".

Dada a derrocada financeira e o problema vivido com o U2, os especialistas da indústria acreditam que a Live Nation deve parar de oferecer opções de recompra de ações em seus próximos acordos.

"Eles não precisam continuar oferecendo esse tipo de cláusula, é óbvio", disse David Joyce, consultor da Miller Tabak Roberts Securities, citado pelo site da revista Forbes.

Para Marc Goldstein, professor da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles e especialista na indústria musical, os contratos da Live Nation, anunciados com estrondo e publicidade, "são mais uma questão de aparências que de realidade econômica".

"Havia o reconhecimento tácito de que o setor não estava funcionando como devia e uma nova direção precisa ser tomada", disse Goldstein, destacando que os modelos anteriores de negócios no ramo estavam obsoletos.

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