Novo testemunho inocenta Kundera de delatar espião a comunistas

Praga, 15 out (EFE).- Um novo testemunho surgido hoje isenta de culpa o escritor Milan Kundera da acusação de que em 1950 teria delatado um compatriota que trabalhava para os serviços de espionagem estrangeiros.

EFE |

Segundo o historiador Zdenek Pesata, que viveu de perto os eventos da época, a denúncia foi feita por Miroslav Dlask, e não por Kundera.

"Miroslav Dlask se dirigiu a mim com a informação de que sua namorada e futura esposa havia se encontrado com um antigo amigo, sobre quem sabia que fugiu para o Ocidente e que seguramente voltou ilegalmente. Dlask me disse que comunicou isso à Polícia", disse hoje Pesata à agência de notícias "CTK".

A versão da delação de Kundera é baseada no testemunho da tcheca Iva Militka e em documentos policiais, que mostram o nome do escritor como autor da denúncia.

O autor de "A insustentável leveza do ser" era, em 1950, delegado de uma casa estudantil em Praga, onde ia pernoitar Miroslav Dvoracek, detido horas depois e acusado de traição.

Segundo Pesata, Dlask, que depois se casou com Militka e que morreu em meados dos anos 90, era então estudante de Filosofia e queria protegê-la.

Por isso, foi ele quem denunciou Dvoracek à Polícia, e depois comunicou sua ação a Pesata, que era membro do comitê do partido da faculdade.

A suposta colaboração de Kundera com a Polícia comunista foi revelada esta semana pela revista "Respekt" e desmentida categoricamente pelo escritor, que negou ter conhecido o espião delatado. EFE gm/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG