Por Natuza Nery PETIT GOAVE, Haiti (Reuters) - A sudoeste do Haiti, no epicentro do tremor de magnitude 5,9 sentido na manhã desta quarta-feira, cidades do interior a dezenas de quilômetros da capital mostravam um cenário de destruição igualmente desolador.

A reportagem viajou de carro para Petit Goave, epicentro do sismo que assustou haitianos e estrangeiros em missão de paz no país às 6h da manhã. Foi o tremor mais intenso desde 12 de janeiro, quando um terremoto de magnitude 7 dizimou casas, matou mais de cem mil pessoas e deixou desabrigada parcela expressiva da população pobre. Cerca de 3 milhões de pessoas foram atingidas.

Não houve registro de novas vítimas neste último tremor, cuja intensidade divulgada mais cedo chegava a 6,1, porém mais tarde retificada.

Na pequena cidadela, uma das mais antigas do país, não houve registro de mortos, apenas casas já condenadas desmoronaram. Como em Porto Príncipe, milhares de pessoas acampavam nas ruas e uma outra incontável multidão esperava ao redor de uma clareira o Exército norte-americano distribuir água.

"O que senti foi um tremor muito parecido com o primeiro," disse Cesar Henry Robert, da Polícia Nacional do Haiti. "Fiquei assustado. Saí correndo."

As fendas nas rodovias aumentaram de tamanho. As rachaduras chegavam a uma largura de 15 centímetros da rodovia nacional, único acesso ao local. Pedras de mais de 2 metros de altura, desprendidas das encostas, bloqueavam parte da estrada.

Até mesmo o cemitério de Petit Goave virou abrigo. Homens, mulheres e crianças encontraram pouso em lápides. Ali mesmo cozinhavam e faziam suas necessidades básicas. Lixo e dejetos disputavam espaço com comida e água retirada de esgotos. Frutas eram vendidas em pequenas feiras livres, num sinal patente de que a nação devastada retoma aos poucos sua rotina sobre o entulho.

Ao contrário dos cidadãos da capital, os haitianos do interior nada pediam aos estrangeiros. Nas entrevistas, apenas lamentavam a tragédia, mas com resignação.

Em Leogone, a cerca de 50 quilômetros de Porto Príncipe, boa parte das moradias virou pó.

"Estamos sofrendo, com medo. Mas isso tudo vai passar," dizia Rosa Maria, de 58 anos, em um espanhol difícil. Atrás dela, uma enorme casa havia vindo ao chão horas antes. Durante a entrevista, outro pequeno sismo, que fez a mulher arregalar os olhos e colocar a mão na testa ferida na tragédia do último dia 12.

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