Novo secretário do USDA abre possibilidade para etanol--Fiesp

SÃO PAULO (Reuters) - A nomeação do ex-governador de Iowa Tom Vilsack para o cargo de secretário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) pelo presidente eleito Barack Obama abre uma possibilidade para o Brasil exportar etanol aos norte-americanos com isenção de tarifa, avaliou nesta quinta-feira um diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O discurso que ele (Vilsack) fez ao ser indicado, de certa forma ele assume uma proposta que a Fiesp vem defendendo... ao mesmo tempo protege o etanol de milho dos EUA... mas abre uma janela de oportunidade, afirmou o diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a jornalistas.

Reuters |

Segundo ele, pela proposta da Fiesp, os produtores de etanol de milho norte-americanos garantiriam a demanda para o chamado E10 (um combustível com 10 por cento de etanol e 90 por cento de gasolina).

E os brasileiros responderiam pela demanda dos EUA do E85 (mistura de 85 por cento de etanol e 15 por cento de gasolina), um produto com oferta ainda incipiente no país, mas com grande potencial, pois os norte-americanos já contam com uma frota de 8 milhões de veículos flex, segundo o diretor da Fiesp.

"Os americanos ainda não encontram nos postos o E85... Pedimos que abrisse o mercado de E85 sem imposto para o álcool brasileiro e mantivesse o E10 para os norte-americanos... com os preços do etanol brasileiro, sem imposto, vamos conseguir crescer nesse mercado de 85, que no futuro poderá ser maior do que o E10", declarou.

As exportações de etanol do Brasil devem somar cerca de 4 bilhões de litros neste ano. No acumulado do ano, os EUA responderam por cerca de 30 por cento desse total, segundo o Ministério da Agricultura.

Segundo o diretor da Fiesp, caberá ao Congresso dos EUA decidir por uma isenção de tarifa para o produto brasileiro poder atender à demanda do E85, e ele mostrou confiança de que isso aconteça.

"O secretário (nomeado) é ligado ao senador Grassley (Charles Grassley, de Iowa, importante produtor de milho do EUA). Se ele concordar com o novo secretário, certamente vamos ter um consenso no Congresso...", disse.

De acordo com Fonseca, caso seja aprovada a proposta pelo Congresso, os norte-americanos poderiam elevar suas importações numa taxa de 50 a 60 por cento ao ano, uma vez que a cada ano a indústria dos EUA coloca nas ruas de 3 a 4 milhões de veículos flex.

"Com tarifa não temos competitividade assegurada. Na hora que cai o preço de gasolina nos EUA, como caiu agora, o nosso álcool fica inviável. Sem tarifa, voltamos a vender e aí posso dizer que vamos ter mercado cativo nos EUA, e o mercado do E85 será gradualmente conquistado pelos brasileiros."

(Reportagem de Roberto Samora)

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