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Novo presidente do TSE critica políticos que fazem da caneta um pé de cabra

BRASÍLIA - Após tomar posse como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, o ministro Carlos Ayres Britto criticou em seu discurso a estrutura partidária política e cobrou, de forma indireta, fidelidade não só de candidatos eleitos a seus partidos, mas, também, fidelidade das legendas aos seus programas. Durante a solenidade ainda o ministro Joaquim Barbosa assumiu a vice-presidência.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

A fidelidade partidária que se exige dos candidatos eleitos não é de se fazer acompanhar da fidelidade dos partidos a si mesmos, programaticamente falando? Partidos tão mais democraticamente autênticos quanto livres desse nome feio que é o mandonismo? Dessa prática imperial que é o cesarismo interno? Partidos com proprietários ou donos, cartorialmente oligarquizados? Como se fossem a mais colonial das fazendas de gado?, acrescentou.

Britto defendeu ainda a qualidade de vida política do País. É preciso falar cada vez mais de qualidade de vida política para o nosso País. O que requer, de um lado, a eterna vigilância contra aqueles políticos que não perdem oportunidade para fazer de sua caneta um pé de cabra, e, de outro, valorizar os que tornam a política a mais essencial, a mais bonita, a mais realizadora de todas as vocações humanas: a vocação de servir a todo o povo ressaltou.

De acordo com o novo presidente, a Democracia, é o único princípio de organização do Estado e da sociedade que faz da liberdade de expressão a maior expressão da liberdade e que possibilita à todos dizer o que quer que seja.

O presidente do TSE adiantou também que, nos próximos dois anos, o Tribunal irá discutir outras questões como, por exemplo, se o quociente eleitoral está de acordo com o preceito constitucional que determina ser a vontade  do eleitor soberana; questionará se políticos "identificados pela tarja de processos criminais e ações de improbidade administrativa" podem se candidatar; debaterá se as obras de cunho social e de infra-estrutura deveriam ser paralisadas em ano eleitoral; e, por fim, discutirá se as regras atuais sobre uso de órgãos de comunicação social como veículo de interação com o eleitorado são extensíveis à mídia online.

No início da solenidade, o ex-presidente do TSE, ministro Marco Aurélio de Mello anunciou durante seu discurso de despedida que deixará o tribunal pra dedicar-se exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a assessoria do tribunal, o ministro poderia permanecer no TSE até março de 2009.

O momento é de ênfase maior ao princípio republicano e democrático da alternância. Neste ato viso à alternância, despedindo-me da corte, retornando ao Supremo Tribunal Federal e deixando de servir a dois senhores, o que é muito difícil, principalmente na área administrativa, ressaltou Marco Aurélio.

Perfil dos ministros

- Carlos Ayres Britto

ABr/Fábio Rodrigues Pozzebom
Ministro Carlos Ayres Britto
Nascido na cidade de Popriá (SE), o ministro Carlos Ayres Britto exerceu a advocacia e atuou em cargos públicos em Sergipe, como o de Consultor-Geral do Estado, Procurador-Geral de Justiça e Procurador do Tribunal de Contas. Também foi Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre 1993 e 1994. Foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2003. Ao longo da carreira, Carlos Ayres Britto exerceu o magistério em várias universidades, em cursos de graduação e pós-graduação.


- Joaquim Barbosa

Celso Junior/AE
Joaquim Barbosa
Doutor em Direito Público e nascido em Paracatu (MG), Joaquim Barbosa é ministro do STF desde junho de 2003. Antes de ingressar no Supremo, foi membro do Ministério Público Federal de 1984 a 2003, foi chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde (1985-88) e advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados-SERPRO (1979-84). Ele também foi oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, na Finlândia.

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