Novo julgamento do assassinato de irmã Dorothy deve se estender até esta terça

BELÉM - O juiz responsável pelo caso da morte de Dorothy Stang informou, nesta segunda-feira, que deverá ouvir, ainda nesta segunda-feira o máximo de testemunhas, dentre as oito que foram intimadas. A sessão já dura mais de oito horas e deve se estender até esta terça-feira.

Redação com Agência Estado |

O juiz Raimundo Moisés Flexa declarou que Roberta Lee, também missionária da mesma congregação, foi a primeira testemunha a prestar depoimento. Ela falou sobre o trabalho da missionária assassinada e disse que o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), não era de Dorothy mas do governo, através do INCRA e que a missionária estava ajudando a implantar naquela região.     

Em seguida o juiz passou a ouvir o depoimento do delegado de Polícia Civil Waldir Freire. Entre as testemunhas trazidas pela defesa dos réus estão Amair Feijoli Cunha (Tato) e Clodoaldo Batista, o primeiro condenado por ter intermediado o crime e o segundo ajudou Rayfran a executar a irmã.

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, acusado de ser o mandante do assassinato de Dorothy negou que tivesse mandado matar a missionária e afirmou que não conhecia Rayfran das Neves Sales, acusado de ser o executor do crime.

AP
Dorothy Stang em foto de arquivo
A missionária Dorothy Stang era defensora dos direitos humanos e trabalhava em área de conflitos fundiários. Ela foi assassinada em 12 fevereiro de 2005, aos 73 anos, no município de Anapú, no sudeste do Pará.

O novo julgamento dos acusados de participação no crime teve início às 8h no salão do júri do Fórum de Belém. O primeiro a ser interrogado pelo juiz foi Vitalmiro Moura. O fazendeiro responde como mandante da morte, que teria sido motivada por disputa de lote de uma área que estava sendo destinada a assentar colonos do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS).     

Em seguida, foi a vez de Rayfran Sales responder às perguntas do juiz, do promotor e dos advogados assistentes de acusação e de defesa.

Sales assume culpa e inocenta os demais

Conforme informações da assessoria do TJ, ao ser interrogado, Sales disse que a arma usado no crime era de sua propriedade e não do fazendeiro, como alegou em depoimentos anteriores. Ele reforçou as declarações prestadas antes por Moura, de que ele não está envolvido na execução.

Segundo o TJ, Sales assumiu integralmente a autoria do crime e disse que trabalhava para Amair Feijoli Cunha, conhecido como Tato, e se sentia ameaçado por Dorothy e pelos colonos do PDS.

A assessoria do tribunal informou ainda que o atirador alegou que antes de baler a vítima teria travado uma breve discussão com ela. Ele inocentou os demais envolvidos.

Condenações

Como Moura e Sales foram condenados a mais de 20 anos de prisão cada um, 30 e 27 anos respectivamente, eles tiveram direito a novos julgamentos. O fazendeiro foi condenado em 14 de maio de 2007. Sales foi condenado em dezembro de 2005, recorreu e em 22 de outubro de 2007 o júri confirmou a condenação. A defesa dele recorreu, alegou problemas técnicos e o segundo julgamento foi anulado.

Amair Feijoli da Cunha, acusado de intermediar o crime, recebeu pena de 27 anos de prisão, reduzida para 18 anos por causa da delação premiada.

Clodoaldo Carlos Batista, que presenciou o crime e nada fez para impedi-lo, foi sentenciado a 17 anos de reclusão.

Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ter planejado e mandado matar a missionária, também deve ir a júri. Ele está recorrendo em instância superior. Moura, Sales e Cunha estão presos.

A previsão é a de que o julgamento iniciado nesta segunda-feira demore dois dias.

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