São Paulo acaba de ganhar um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia que ficará responsável por criar tratamentos exclusivos para o HPV, doença sexualmente transmissível que mais acomete a população (20% dos casos). Com investimento de R$ 7,2 milhões, a principal missão será facilitar o acesso à vacina feminina contra a DST, além de incentivar a implantação da primeira versão masculina da imunização do vírus.

O HPV pode provocar câncer de colo de útero nas mulheres, um dos mais letais. Já a vacina anti-HPV masculina ainda não existe no mercado, mas um estudo realizado pelo laboratório Merck Sharp mostrou que a mesma composição feminina preveniu 86% das lesões em homens.

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constatou que 74% dos pacientes com diagnóstico de tumores malignos na língua apresentavam o HPV, vírus antes relacionado só ao câncer de colo de útero. No total, foram 60 amostras de mucosa da boca avaliadas, todas de homens, maiores de 18 anos. “Ficou comprovado que existe uma relação importante entre o HPV e o câncer da boca”, afirma o dentista Carlos Eduardo Ribeiro da Silva, autor do estudo. “Esta era uma desconfiança já que a mucosa da boca é muito parecida com a mucosa genital feminina.”

Para o oncologista Gilberto de Castro Júnior, do Instituto do Câncer de São Paulo, os resultados só endossam que o jargão “chupar bala com papel”, utilizado para rejeitar o uso da camisinha nas relações sexuais orais, oferece riscos graves. “Uma das formas de prevenção é o uso do preservativo”, diz ao explicar que, em geral, o câncer na região da cabeça e pescoço provocado pelo HPV é mais ameno do que o causado pelo tabagismo ou o álcool na região.

Para Marcelo Durazzo, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, não há relação clara entre HPV e câncer de boca. “Algumas pesquisas não mostram que esta relação não existe. Mas na incerteza, o melhor caminho é o da prevenção, a camisinha.”

AE

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