Novo incidente na Bolívia reduz à metade gás ao Brasil

Por Carlos Quiroga LA PAZ (Reuters) - Um novo incidente em um gasoduto boliviano nesta quinta-feira fez com que caísse pela metade o volume de gás natural que o país envia diariamente ao Brasil, informou o consórcio operador do sistema de transporte do gás.

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O Transierra disse em um comunicado que 'durante a noite/madrugada uma válvula de segurança (...) foi manipulada, gerando a interrupção total do serviço pelo (gasoduto) GASYRG'.

Esse gasoduto, destinado exclusivamente a atender o mercado brasileiro, transportava 14 milhões de metros cúbicos diários e sofreu na quarta-feira uma redução de 3 milhões de metros cúbicos após outro incidente atribuído pelo governo a manifestantes de oposição.

O fornecimento total de gás da Bolívia para o Brasil, antes dos incidentes no gasoduto de Transierra, na região do Chaco, girava entre 30 e 31 milhões de metros cúbicos diários, cerca da metade da demanda total brasileira.

A indústria paulista é particularmente dependente do gás boliviano, assim como boa parte da frota de veículos movidos a gás no Sudeste do Brasil.

Não há uma confirmação oficial do governo boliviano sobre o anúncio da paralisação do gasoduto GASYRG, operado pelo consórcio formado pela Petrobras, a francesa Total e a Andina, sociedade entre a estatal boliviana YPFB e a espanhola Repsol-YPF .

A Transierra destacou que não se sabe de imediato se foram causados danos ao gasoduto 'manipulado', localizado 50 quilômetros ao norte da cidade de Villamontes e 900 quilômetros a sudeste de La Paz, não região do Chaco, onde se encontram os maiores campos produtores de gás. Mas afirmou que a área atingida pelos incidentes de quarta-feira, mais ao sul, ainda sofre com incêndios.

'No início desta manhã a área ainda estava pegando fogo, então não pudemos acessá-la para avaliar possíveis danos', disse a Transierra no comunicado.

O ministro de Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão, está reunido com técnicos do ministério e com a Petrobras para tomar medidas adicionais ao plano de contingência da estatal e enfrentar o corte de fornecimento de gás natural da Bolívia.

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Segundo a assessoria do ministro, às 16h Lobão dará uma entrevista coletiva para detalhar a operação que tentará evitar problemas de abastecimento no país.

'ATAQUES TERRORISTAS'

A oposição ao presidente Evo Morales, de esquerda, intensificou os protestos no leste da Bolívia contra o governo nos últimos dias.

Na quarta-feira, Morales pediu que o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, deixasse o país, afirmando que ele está apoiando os protestos.

Autoridades do governo chamaram os ataques ao duto de 'terroristas' e o ministro da Fazenda afirmou na quinta-feira que a Bolívia está trabalhando para restaurar as exportações ao Brasil. [ID:nN11449185]

'O governo está reforçando a militarização nos campos petroleiros e outros pontos suscetíveis a atos terroristas', afirmou Luis Alberto Arce a jornalistas em Brasília.

'As Forças Armadas estão retomando o controle de algumas localidades na fronteira com o Brasil', acrescentou.

Os incidentes não afetaram a exportação de gás para a Argentina, também provenientes da região de Chaco, segundo fontes da área energética governamental.

As exportações de gás ao Brasil e à Argentina são a maior fonte de divisas da Bolívia e devem superar este ano os 2 bilhões de dólares, segundo dados oficiais.

(Reportagem adicional de Denise Luna, no Rio de Janeiro, e Ray Colitt, em Brasília)

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