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Novo filme produzido por Peter Jackson apresenta ETs discriminados

Só para humanos é o slogan da campanha publicitária de District 9, o novo o filme de ficção científica produzido pelo neozelandês Peter Jackson, que apresenta uma história sobre alienígenas e discriminação.

AFP |

"Tive muito cuidado de não fazer algo que soasse muito político e que o público achasse desgastante", afirma o diretor do filme, o sul-africano Neill Blomkamp, de 29 anos.

"Mas eu sabia que queria captar a essência da África do Sul e a essência da segregação e do racismo sem disfarces, porque esse foi ambiente em que cresci", contou o diretor ao apresentar o filme para a imprensa em Beverly Hills.

Com um orçamento de 30 milhões de dólares, suficiente em Hollywood para se fazer apenas um curta-metragem, Blomkamp foi capaz de fazer um filme com bons efeitos especiais e um roteiro que, em 1 hora e 53 minutos, é capaz de prender a atenção até mesmo daqueles desinteressados em ficção científica.

A ignorância e o medo provocados pelo racismo são apresentados em uma história ambientada na miséria do terceiro mundo, onde estão os extraterrestres, recebidos com medo e desconfiança pela raça humana. Os habitantes da Terra não sabem se os ETs irão realizar um ataque hostil ou proporcionar um avanço tecnológico para o planeta.

O que ocorre, na verdade, é que os alienígenas eram refugiados, sobreviventes de seu planeta natal, e enquanto tentam se adaptar em um universo desconhecido, a Terra e seus líderes discutem o que fazer com essas criaturas, temporariamente instaladas na África do Sul.

"Há muitas semelhanças entre o apartheid e muitas analogias no governo opressor branco e na opressão da maioria negra. Mas sempre tinha em mente que continuava sendo um filme de Hollywood" diz Blomkamp, que desenvolveu seu filme a partir do curta-metragem "Alive in Jo'burg".

Peter Jackson se interessou em produzir o filme e foi a ponte para que os estúdios Sony investissem na sua realização: "Foi muito mais do que eu esperei, é incrível tudo isto no meu primeiro filme, e eu agradeço a liberdade que me deram", disse Blomkamp.

O jovem cineasta é conhecido por seus vídeos publicitários em Vancouver, no Canadá, onde vive, e em 2008 ganhou o Leão em Cannes pela realização de vídeos na internet do jogo HALO.

Foi através desse jogo que conheceu Jackson, que contratou o jovem para dirigir uma adaptação ao cinema de um projeto que acabou cancelado.

"Esse filme nunca foi feito, mas queríamos trabalhar com Neill e quando ele nos apresentou 'District 9', decidimos que seria divertido transformar sua idéia em um filme", disse Jackson.

Uma das peças-chave neste filme é o desempenho do sul-africano Shartlo Copley, que como um oficial da Multi-National United (MMU) lidera uma operação para controlar os extraterrestres, se preocupando mais com os lucros que poderia obter com as armas dos alienígenas do que com seu bem-estar.

"Crescer na África do Sul e ter que lidar com a dor emocional tão forte por todo o passado definitivamente impactou meu personagem", disse o ator, que é amigo de Blomkamp desde o colégio, em Joanesburgo.

Orgulhoso pelas mudanças históricas que o país alcançou, em 1994, quando ele se encerrou oficialmente a segregação racial, Copley admite que houve um processo social muito doloroso. Contudo, "para minha geração é mais fácil, relativamente falando, porque nós não passamos pelos tempos realmente difíceis do apartheid", aponta.

Com a dor e a reconciliação de um episódio que marcou a África do Sul, chega ao cinema uma história de ficção científica com todos os elementos para não discriminar a audiência.

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