Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 7 set (EFE).- O filme Milagre em Santa Anna, a resposta de Spike Lee ao patriotismo de Clint Eastwood em suas obras sobre a Segunda Guerra Mundial, reivindica o papel da população negra nesse conflito e enche a telona com claras influências do neo-realismo italiano.

Em junho, Lee criticou Eastwood por ele não ter usado "um único ator negro" em "A Conquista da Honra" e "Cartas de Iwo Jima", dois filmes sobre a conquista dessa ilha japonesa em 1945.

O filme de Lee, um épico que narra a história de quatro soldados membros de uma divisão do Exército americano formada apenas por negros, que passam por uma situação complicada em setembro de 1944 em plena Toscana, depois que um deles arriscasse sua vida para salvar uma criança italiana.

Baseado no romance homônimo de James McBride, que também se encarregou do roteiro, o longa-metragem, cuja violência lembra por momentos a primeira meia hora do "Resgate do Soldado Ryan" (1998), foi exibido ontem no Festival Internacional de Cinema de Toronto e chegará aos EUA em 26 de setembro.

Destarte, o filme mostra o que parece ser o assassinato de um inocente em um escritório dos correios de Nova York, mas o resto da história, em que cada um dos personagens fala em sua língua nativa, se encarrega de explicar os motivos que levaram ao incidente.

"Encerra um mistério brutal que tem a ver com os eventos históricos e a descarnada realidade da guerra", disse Lee, duas vezes candidato ao Oscar.

Segundo o cineasta, "Milagre em Santa Anna" é "também uma história mística de amor e compaixão".

O realizador continua desta forma sua tendência a mostrar as injustiças raciais na telona, como já fez em "Faça a coisa certa" (1989), "Malcom X" (1992), "Todos a bordo" (1996) e "A hora do show" (2000).

Em um filme repleto de nomes praticamente desconhecidos para o grande público, se destacam os quatro protagonistas, vividos por Derek Luke, Michael Ealy, Laz Alonso e Omar Benson Miller, um "gigante de chocolate" para Angelo, a criança que ele salva.

A relação estabelecida entre Sam (o personagem de Miller) e Angelo (encarnado por Matteo Sciabordi) é um dos pontos de mais destaque do filme, da mesma forma que as cenas que acontecem na casa do fascista Ludovico (Omero Antonutti), que lembram clássicos como "Ladrões de Bicicleta" (1948) e "Roma, cidade aberta" (1945).

"O papel crucial do filme é o da criança", admite o diretor.

"Pusemos um anúncio e se apresentaram cinco mil pessoas; soube que o menino seria Matteo assim que o vi. Foi um milagre", afirmou o cineasta.

Para Lee, um dos aspectos mais relevantes do roteiro foi mostrar a reação da população de uma remota vila italiana ao ver uma pessoa negra pela primeira vez em suas vidas e refletir como superar as barreiras culturais.

"O filme fala sobre amizade e como conhecer uns aos outro acima de medos e preconceitos", afirma o produtor italiano Luigi Musini, encantado com o elenco de atores de seu país.

A paisagem natural da cordilheira de Apeninos tem um significado especial dentro do filme.

"A localização é muito representativa de como foi a guerra na Itália, de como foi nossa resistência", acrescenta Musini.

O elenco do filme, que promete estar entre os candidatos ao Oscar em várias categorias, é completado por John Turturro, o colombiano John Leguizamo e o jovem Joseph Gordon-Levitt, em pequenos papéis.

EFE mg/rr

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