Novo deslizamento amplia dimensão da catástrofe das chuvas no RJ

Jaime Ortega Carrascal. Rio de Janeiro, 8 abr (EFE).- A atual catástrofe decorrente das chuvas no estado do Rio de Janeiro, que deixou 170 mortos até o momento, adquiriu hoje novas dimensões depois que um novo deslizamento de terra na cidade de Niterói pode ter soterrado pelo menos 200 pessoas.

EFE |

As equipes de resgate dedicam boa parte de suas atenções ao Morro do Bumba, no bairro niteroiense do Cubango, onde um deslizamento destruiu ontem à noite cerca de 50 casas, segundo cálculos das autoridades.

Como não há um registro oficial dos imóveis construídas nas encostas, as autoridades baseiam seus cálculos nas informações de moradores. Foi assim que o coronel Pedro Machado, subsecretário estadual de Defesa Civil, chegou à conclusão que 200 pessoas podem estar presas embaixo de toneladas de terra, pedra e lixo.

A cidade de Niterói foi a mais castigada pelos deslizamentos de terra decorrentes das fortes chuvas desta semana, com pelo menos 98 mortos.

No Rio de Janeiro, houve 52 mortos; em São Gonçalo, 16; Nilópolis, Engenheiro Paulo de Frontin, Petrópolis e Magé registraram uma morte cada.

Mesmo em menor intensidade, as chuvas ainda castigam de maneira intermitente algumas regiões do Rio e de municípios vizinhos.

Um representante da Prefeitura de Niterói disse à Agência Efe que não há números precisos sobre desaparecidos no Morro do Bumba, enquanto a secretária estadual do Meio Ambiente, Marilene Ramos, afirmou que o número de soterrados não deve ser tão alto como calculam os bombeiros.

"Muitos moradores deixaram a região depois do primeiro deslizamento, na segunda-feira", disse Marilene, o que indica que, mais uma vez, se tratou de uma tragédia anunciada.

No caso do Morro do Bumba, o terreno sobre o qual as casas foram construídas é ainda mais instável porque, segundo as autoridades, entre 1970 e 1986 o local foi usado como aterro sanitário, reduzindo a capacidade de absorção da água da chuva pelo solo.

O aterro foi fechado há mais de 20 anos, mas nada foi feito para impedir a urbanização da área.

Diante da situação de emergência da região metropolitana do Rio desde segunda-feira, o governador fluminense, Sérgio Cabral, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, reiteraram seus pedidos para que as zonas propensas a deslizamentos de terra sejam desocupadas, mas muitos moradores dessas áreas alegam que não têm para onde ir.

O Governo federal anunciou hoje em Brasília que liberou R$ 200 milhões em caráter emergencial para o Rio e que enviará ajuda humanitária para os milhares de desabrigados.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu hoje ao Ministério Público Federal (MPF) para que investigue a responsabilidade dos governantes e da distribuição do dinheiro destinado ao Programa de Prevenção e Preparação para Emergência e Desastres.

"Hoje os Estados trabalham muito mais em função das consequências das emergências do que com políticas de prevenção e de planejamento a longo prazo. Chegou o momento em que os governantes devem assumir suas responsabilidades. Chega de omissão, chega de desgraças", disse hoje a jornalistas o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante.

A OAB quer que haja um esclarecimento sobre se a distribuição dos recursos para a prevenção de desastres foi feita com base em critérios técnicos ou políticos.

Os juristas também anunciaram que darão assessoria legal às pessoas afetadas pela tragédia que buscarem uma indenização por danos morais ou materiais. Segundo a OAB, embora tenham construído suas casas de maneira ilegal em áreas de risco, houve omissão das autoridades que permitiram a urbanização das encostas. EFE joc/bba

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