Nova regra veta sensualidade em propaganda de bebida alcoólica; opine

SÃO PAULO - As campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas não poderão mais usar a sensualidade como uma arma para atrair consumidores. Nesta quinta-feira entram em vigor novas regras do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) que busca reduzir o apelo ao consumo exagerado ou irresponsável de bebidas alcoólicas.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

A principal restrição está em evitar a exploração da sensualidade como foco central da publicidade. De acordo com a resolução, "modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual".

Segundo Dalton Pastori, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), as atualizações nas regulamentações são feitas o tempo todo, "são regras que se adaptam as necessidades da sociedade". Para ele, as agências querem uma publicidade socialmente responsável e aceita pela sociedade.

Além do apelo à sensualidade, outros "clichês" da publicidade estão vetados. As imagens não podem sugerir a ingestão do produto, o consumo como sinal de maturidade ou êxito social ou que o consumidor aumenta seu poder de sedução.

Em tempos pré-olímpicos, os uniformes de esportes do evento também entram nas regras. Eles não podem ser suporte da divulgação das marcas de bebida alcoólica.

Segundo Leandro Leonardo Batista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, a nova regulamentação deve mais acomodar a reclamação do público do que limitar os efeitos da publicidade de bebidas alcólicas.

Segundo Batista, o alvo da diminuição do apelo sexual seriam os jovens. A ligação com as crianças foi reduzida anteriormente, com a proibição de bonecos ou animais "humanizados" nas peças publicitárias.

Cláusula de advertência

A cláusula que adverte para as conseqüências da ingestão de bebidas alcoólicas sofreu algumas alterações. Ela continua obrigatória, mas o "Beba com moderação" agora pode ser "Quem bebe menos, se diverte mais" ou "Servir bebida alcoólica a menor de 18 anos é crime".

Na veiculação da cláusula, outras mudanças. No rádio, a mensagem deve ser dita em tempo suficiente para a locução pausada e compreensível. A TV e o cinema devem ter, pelo menos, um décimo de duração da mensagem publicitária dedicado à cláusula. Na mídia impressa, estão regulamentados os tamanhos das fontes em que será escrita a cláusula.

A publicidade feita em ponto-de-venda precisará ir além da cláusula, a frase "Venda e Consumo proibidos para menores de 18 anos".

Divisão

O Conar divide as bebidas alcoólicas em três categorias para aplicação destas medidas. Estão regidas pela categoria "P" as bebidas normalmente consumidas durante as refeições. Na "T" ficam as bebidas que são apresentadas em mistura com água, suco ou refrigerantes, os chamados "ices", "alcool pop", "ready to drink" e "malternatives". As demais bebidas ficam na categoria "A". Esta divisão influi no tempo de exposição de cada propaganda. Cada categoria pode ser exibida em um horário de televisão, por exemplo.

Você concorda com as medidas do Conar sobre as propagandas de bebibas?
Não. Elas deveriam ser totalmente liberadas

Sim. Essas propagandas são muito apelativas



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