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Nova Amélia busca o equilíbrio entre a emoção e a razão

Nova Amélia busca o equilíbrio entre a emoção e a razão Por Fernanda Aranda São Paulo, 26 (AE) - Inspirados no perfil contemporâneo, Ataulfo Alves e Mário Lago cantariam uma outra mulher de verdade. O novo perfil feminino foi traçado e mostra que a Amélia da década de 40 virou executiva.

Agência Estado |

De salto alto e retocando o batom, elas rejeitam a postura masculinizada adotada no início dos anos 90 para competir com os homens na vida empresarial. Gostam de comandar o escritório, mas topam - às vezes - pilotar o fogão.

Um dos traços da nova mulher foi desenhado pela multinacional Unilever, em pesquisa com 1.503 moradoras do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México. Nove em cada dez admitem: são movidas a emoção, principalmente quando se trata do mito do "príncipe encantado". Mas os sentimentos ficam para fora do trabalho, onde 65% dizem escutar apenas o lado racional. "As emoções são motores da mulher, mas com peso muito menor no ambiente de trabalho", observa Guilherme Mortensen, gerente da empresa.

Deixar os sentimentos longe do serviço foi o começo da transformação e uma das estratégias para o sexo feminino conquistar espaço e respeito no trabalho. A invasão das mulheres no mercado trouxe mais mutações no comportamento da "espécie", diz a executiva em comunicações Nancy Assad, que acompanhou in loco todo o processo. "Ficamos um pouco confusas no começo e até perdemos a feminilidade, usamos roupas mais masculinas, com medo dos rótulos", conta Nancy.

A metamorfose exigia foco na carreira. Sinônimo de bem sucedida era aquela que torcia o nariz para qualquer ideia de romance ou tarefa doméstica (o arquétipo de Amélia cantado na canção). Mas os tempos mudaram e equilíbrio passou ser a meta.

"Não temos vergonha de admitir que, de vez em quando, adoramos fazer a comidinha do marido", diz a representante de vendas Juliana Vasconcelos, de 36 anos, que trabalha 10 horas por dia. "É bem assumido que amamos nossos companheiros, que desejamos ter um companheiro. Somos, sem medo, as novas Amélias", define Nancy que, na agenda de "amélia executiva", intercala 12 horas de trabalho com mimos aos filhos e duas cachorras, a paixão por cozinhar e cuidados com o corpo. "Aprendemos a equilibrar emoção e razão."

E não foi só a racionalidade que mudou o coração da mulher. Cigarro e álcool são apontados pelos especialistas como "lado negro" do feminismo. Dados do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas (Cebrid) mostram que as consequências estão nas gerações seguintes. Na faixa etária entre 18 e 24 anos, por exemplo, 10,5% delas são dependentes do cigarro contra 8,2% deles. Entre os adolescentes de 12 a 17 anos, 60,4% das meninas já experimentaram álcool contra 55,5% dos meninos de mesma idade.

Tudo isso deixou o coração da mulher bem diferente. "Antes, quando a mulher chegava (ao hospital) com dor no peito, os médicos costumavam atribuir à ansiedade. Hoje, devido ao estilo de vida delas, a possibilidade de enfarte não pode ser negligenciada", conta o supervisor de cardiologia do Hospital do Coração (HCor), Ricardo Pavanello. A nova Amélia precisa fazer check-up.

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