Nova cirurgia traz esperança para mulheres com câncer de mama

Em 2007, a professora de inglês Sandra (nome fictício), então com 47 anos, descobriu três nódulos no seio esquerdo - um de 6 milímetros e os outros dois de 2 milímetros. Na hora, pensou no pior: teria de retirar os seios.

Agência Estado |

“Fiquei assustada.” Graças a uma nova técnica que une a remoção da glândula mamária e o implante de silicone, Sandra se livrou da doença e, ao mesmo tempo, ficou mais bonita.

A técnica foi desenvolvida pelo cirurgião plástico Alexandre Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP) e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ele uniu a mastectomia com a preservação da pele do seio (incluindo a auréola e o mamilo) com o implante expansor, que permite o ajuste do tamanho da prótese. O cirurgião já realizou o procedimento em 35 mulheres desde a criação da cirurgia, em 2004, com resultados satisfatórios. Eles serão expostos em artigo no periódico científico "Breast" (em dezembro na edição online e, em março, na impressa).

Podem optar pela cirurgia mulheres com câncer em estágio inicial e que não esteja próximo à auréola ou quando há risco do desenvolvimento da doença (a mastectomia redutora de risco). “É uma boa técnica com indicações precisas”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Mastectomia, Carlos Ricardo Chagas. “Só é preciso estar seguro de que o tumor não está embaixo da auréola.”

Segundo Munhoz, a retirada da glândula é feita a partir de uma incisão ao redor da auréola, que depois é reconstruída, deixando uma cicatriz pouco perceptível. É colocada uma prótese de silicone e outra de soro fisiológico, que pode ter o volume aumentando ou diminuído.

Estética

A vantagem estética é óbvia - ao contrário de uma prótese de silicone, o tamanho do seio não é definitivo. “É possível fazer pequenas correções em termos de volume e simetria”, diz o cirurgião. Mas existem motivos médicos que justificam o “capricho”. Após a cirurgia, a pele do seio fica sensível. Uma prótese muito grande aumenta a tensão do tecido, que dificulta a cicatrização e pode torná-la mais perceptível. Para evitar esses inconvenientes, Munhoz coloca uma prótese menor de silicone e, após a cicatrização (de 10 a 15 dias), faz os ajustes necessários.

O especialista explica que a prótese de soro pode ter volume de 200 ml a 700 ml. A regulagem é feita no consultório médico. O procedimento é simples: com uma agulha, ele injeta ou retira o soro por meio de uma válvula do tamanho de uma moeda de R$ 0,05, que fica abaixo da pele, ao lado da axila. “Não demora cinco minutos.” Munhoz diz que a válvula não é perceptível. “A mulher sente como se fosse um pequeno nódulo. Não dói e não incomoda. Apenas em pacientes muito magras pode formar uma leve protuberância.” As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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