Normas para parques foram lançadas dia 16; veja outros acidentes

Associação que agrupa parques de diversão lançou cartilha sobre normas de segurança. Acidentes ocorrem também fora do Brasil

Fernanda Simas, iG São Paulo | 04/04/2011 20:16

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Acidentes em parques de diversão acontecem há anos no Brasil. Por essa razão, a Associação das Empresas de Parques de Diversão do Brasil (Adibra) lançou no último dia 16 as Normas Brasileiras para Parques de Diversões, em conjunto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Segundo o presidente da Adibra, Francisco Donatiello Neto, a intenção dessas normas é deixar os parques nacionais com “um nível de qualidade adequado ao seguimento, equiparando o Brasil aos padrões de outros países mais desenvolvidos nesse setor.”

Foto: AE Ampliar

Funcionários da Polícia Científica realizam perícia no brinquedo Double Shock, no Playcenter

De acordo com as normas, na entrada de cada atração, por exemplo, é necessário haver a informação da altura mínima e da máxima para se utilizar o equipamento. Além disso, saídas de emergência devem estar sempre desobstruídas e as plataformas precisam ser liberadas antes que o brinquedo comece a funcionar.

O último acidente no Brasil aconteceu nesse domingo (03), no Playcenter, parque de diversão localizado na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Oito pessoas caíram de uma altura de sete metros, depois que a trava de segurança do brinquedo Double Shock abriu. Essa é a segunda ocorrência no parque em menos de seis meses. No dia 23 de setembro do ano passado, dezesseis pessoas tiveram ferimentos leves depois de um acidente na montanha-russa Loopin Star. Dois carros da atração se chocaram devido a um problema nos freios, como constatou o Instituo de Criminalística.

Segundo comunicado da Adibra, o Playcenter "é pioneiro entre os associados da Adibra e cumpre com todas as normas internacionais para a operação de parques de diversões, tendo incentivado e participado durante os três anos de elaboração das normas brasileiras para parques de diversões."

Hopi Hari

Outro parque muito procurado no Brasil é o temático Hopi Hari, em Vinhedo, São Paulo. Em setembro de 2007, a morte de um estudante de 15 anos em uma atração do local gerou polêmica.

Arthur Wolf passou mal no Labirinto e morreu. A atração trata-se de uma sala escura com corredores nos quais funcionários fantasiados de monstros dão sustos nos visitantes. Pelo ambiente é espalhada fumaça de gelo seco. Os médicos que atenderam o garoto disseram que a morte foi causada por choque anafilático, seguido de parada cardiorrespiratória.

Outros acidentes

Outros parques do Brasil também já registraram acidentes:

12/03/2011 – A adolescente Renata Aurélio Vieira Menchão, de 14 anos, morreu depois de cair de uma altura de cinco metros quando estava no brinquedo Space Loop, em um parque de diversões itinerário instalado no Parque Pinheiro, Hortolândia (SP). Segundo amigos da garota, a trava de segurança no lugar em que Renata sentou estava com defeito. As testemunhas disseram ainda ter avisado o operador do brinquedo que faltava segurança.

Janeiro de 2009 - Alexandre Tavares, de 10 anos, morreu eletrocutado junto à grade de proteção de um brinquedo no parque de diversões Toy World, em Bangu, Rio de Janeiro.

Dezembro de 2008 - Brayan Alexandre Rosa de França, de 18 anos, morreu depois de ficar nove dias internado. Ele subiu na plataforma do Barco Pirata enquanto o brinquedo estava em movimento e foi atingido na cabeça pelo equipamento, em um parque de Ponta Grossa, Paraná.

Junho de 2008 - Rafael Luís de Freitas Porfírio, 12 anos, morreu depois de bater a cabeça no Ônibus Espacial, em um parque de diversões em Campinas, São Paulo.

Maio de 2008 - Julia Vitória Dunhan Braga, 9 anos, teve perda do couro cabeludo depois de prender o cabelo em um brinquedo conhecido como Gaiola, em um parque no Rio de Janeiro.

Abril de 2008 - Uma criança e um adolescente morreram em dois parques de diversões diferentes. Gustavo Rodolfo Alves, 14 anos, despencou de um tobogã e um menino de 10 anos morreu depois de cair do Elevador. Os dois parques ficam em São Paulo

Março de 2008 - Quinze pessoas ficaram feridas depois de o brinquedo em que estavam se soltar da base, em um parque de Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Fevereiro de 2008 – Três pessoas ficaram feridas depois que o carro da montanha-russa em que estavam saiu dos trilhos, em um parque de Poços de Caldas, Minas Gerais.

Foto: Futura Press

Acidente com o brinquedo Looping Star, no parque de diversões Playcenter, em São Paulo

Casos internacionais

Segundo a International Association os Amusement Parks and Attractions (IAAPA), a chance de um acidente ser fatal em um parque de diversão é de uma em 750 milhões. Em 2009, cerca de 280 milhões de pessoas visitaram parques nos Estados Unidos e em 1.086 passeios aconteceram acidentes, sendo que apenas 65 (6%) foram considerados sérios, ou seja, as vítimas precisaram ser levadas a hospitais.

O caso mais recente, noticiado no Brasil, aconteceu no último sábado (02). Um menino de três anos morreu depois de cair de uma montanha-russa, no parque “Go Bananas”, em Norridge, Chicago. Segundo a polícia, o garoto se soltou e passou por baixo da barra de segurança do carro.

Outros três acidentes, mais antigos, são usados como exemplos pela IAAPA nos fóruns anuais que discutem e tentam melhorar a segurança em parques de diversão. Em 2006, uma falha no segundo carro da montanha russa Fujin-Raijin II causou a morte de Yoshino Kogawara e deixou outras12 pessoas feridas.

Em 2007, dois trens da montanha-russa Chester´s Coaster se chocaram logo depois de sua abertura. Ninguém ficou gravemente ferido, mas uma criança de 4 anos teve uma séria lesão no braço. As investigações apontaram que a falha foi no freio de um dos trens.

O último exemplo aconteceu em fevereiro de 2009. Um homem de 37 anos morreu depois de cair da montanha-russa Star Flyer no parque temático Star City, nas Filipinas. O parque afirma que o sistema operacional do brinquedo funcionava normalmente e que o homem só cairia se a trava fosse impedida de ser trancada por ele mesmo. Contudo, a trava do carrinho foi encontrada na posição "trancada" após o acidente.

Parques Disney

Acidentes também já aconteceram nos famosos parques temáticos do complexo Disney, em Orlando, Flórida (EUA). Em julho de 2009 houve uma colisão frontal entre dois trens do monorail do parque Magic Kingdom. As autoridades informaram que o motorista de um dos trens morreu e cinco pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade.

Em maio de 2007 cinco visitantes e um funcionário ficaram feridos depois de um problema na atração "Kali River Rapids", que simula a descida por um rio no meio da floresta tropical. O problema aconteceu quando os cinco visitantes deixaram o barco e, auxiliados por um funcionário, subiram em uma plataforma.

Em julho de 2005, quinze pessoas ficaram feridas depois da colisão entre dois carros de uma montanha-russa no California Adventure. Havia 24 pessoas em cada um dos carros. A Disney divulgou um comunicado dizendo que o carro em movimento na montanha-russa bateu no que estava parado, mas que nenhum deles descarrilou.

No mesmo mês, uma adolescente teve um ataque cardíaco ao descer da Torre do Terror, atração em que um elevador despenca depois de um trajeto pelo hotel mal-assombrado.

Em junho de 2005, um menino de quatro anos morreu depois de perder os sentidos na atração "Missão Espacial", do parque Epcot Center, que simula a sensação produzida por um lançamento espacial.
 

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