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Nobel de Literatura para J.M.G. Le Clézio, o explorador da humanidade

O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio recebeu nesta quinta-feira o Prêmio Nobel de Literatura por sua obra marcada pela paixão por viagens, o exílio e a nostalgia dos mundos primitivos.

AFP |

A Academia sueca se decidiu por Le Clézio por ele ser um "escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual". "É um explorador da humanidade além e por baixo da civilização reinante", segundo afirma o texto oficial.

Ao ficar sabendo da notícia, o autor se declarou muito emocionado, em entrevista a uma rádio sueca.

"É uma grande honra para mim", afirmou, acrescentando que agradecia "com toda sinceridade" à Academia Nobel.

O nome de Le Clézio figurava entre os favoritos ao prêmio havia muitos anos nos círculos literários suecos e, em 2008, foi citado com insistência como possível laureado.

Em junho passado, recebeu o prêmio literário sueco Stig Dagerman, que lhe será entregue em 25 de outubro, em Estocolmo.

Nascido em 13 de abril de 1940 em Nice, sul da França, em uma família bretã, Jean Marie Le Clézio é considerado um dos mestres da literatura de língua francesa contemporânea, com um texto clássico e aparentemente simples, mas extremamente refinado.

Já em sua estréia como autor, recebeu em 1963, com apenas 23 anos, o Prêmio Renaudot por sua obra "Le procès-verbal" (O processo verbal, em tradução livre).

"La fièvre", "L'extase matérielle", "Terra amata", "Le livre des fuites", "La guerre", "Le chercheur d'or", "Onitsha", "Etoile errante", "Le déluge", "Voyages de l'autre côté", "Voyage à Rodrigues", "Etoile errante", "Diego et Frida", "Révolutions", "Ourania" e "Ritournelle de la faim" são os títulos de sua rica bibliografia, além de "O deserto", "A quarentena", "Peixe dourado" e "O Africano", que foram publicados no Brasil.

Em sua obra, muito diversificada, Le Clézio fala de suas viagens e das distintas culturas pelas quais se apaixonou na América Latina, África e Oceania.

Influenciado no início de sua carreira pelo movimento do "nouveau roman", Le Clézio evoluiu para uma literatura mais espiritual, na qual, geralmente, aparece o tema do paraíso perdido.

Desde jovem, o romancista viajou muito pelos Estados Unidos, Tailândia e América Latina e sempre se declarou particularmente apaixonado pelo México e Panamá.

"O ponto central da obra do escritor cada vez mais se volta para a exploração do mundo da infância e da própria história familiar", afirma a Academia Nobel em seu comunicado.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, saudou com um "imenso orgulho" a notícia do prêmio concedido a Le Clézio, a quem dirigiu suas "mais calorosas felicitações em nome de todos os franceses". "Este é a recompensa mais prestigiosa que um escritor pode receber, e que honra a França e a língua francesa", acrescentou.

Le Clézio é o 14º francês a receber um Nobel de Literatura.

fk/gc/cn

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