ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) respondeu ao líder do DEM, Agripino Maia, e disse que se orgulha de ter mentido quando foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985), período em que não havia liberdade de expressão. " / ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) respondeu ao líder do DEM, Agripino Maia, e disse que se orgulha de ter mentido quando foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985), período em que não havia liberdade de expressão. " /

No Senado, Dilma diz que se orgulha de ter mentido sob tortura

BRASÍLIA - No início de seu depoimento na Comissão de Infra-estrutura do Senado, nesta quarta-feira, a http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/05/07/dilma_rebate_agripino_e_diz_que_mentiu_durante_a_ditadura_para_salvar_vidas_1301170.htmlministra Dilma Rousseff (Casa Civil) respondeu ao líder do DEM, Agripino Maia, e disse que se orgulha de ter mentido quando foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985), período em que não havia liberdade de expressão.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

"Me orgulho de ter mentido, o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. Aguentar tortura é dificílimo", disse Dilma aos senadores nesta quarta-feira. Presa nos anos 60 por ter participado de movimento contra o regime militar, ela ficou três anos na cadeia.

"Pau de arara, choque elétrico, não há possibilidade de um diálogo. Qualquer comparação só pode partir de quem não dá importância à democracia", rebateu a ministra que disse estar disposta a responder a todas as perguntas que lhe fizerem após sua exposição sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"Agora estamos em igualdade de condições, humanas e materiais, em um diálogo diferenciado", completou. Na abertura da sessão, antes de a ministra iniciar sua exposição, Agripino e o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), cobraram explicações sobre o suposto dossiê com informações sigilosas sobre o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), apesar de a ministra ter sido convocada para falar sobre o andamento do PAC.

Agripino insinuou que a ministra poderia faltar com a verdade nas declarações que daria em seguida à comissão ao citar entrevista à imprensa de Dilma em que ela declara que nos depoimentos dados sob tortura, "a gente mentia feito doido, mentia muito, é claro que mentia para sobreviver, era um regime de exceção".

Agripino também afirmou que o dossiê pode significar o retorno ao Estado policial. 'Esse dossiê parece uma volta ao regime de exceção, a volta do uso do Estado para encostar pessoas na parede', afirmou.


No vídeo, Dilma se exalta com pergunta sobre ditadura

O líder do governo, senador Romero Jucá (RR), disse que a ministra responderia questões sobre todos os temas e a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), afirmou que Agripino tenta desqualificar o depoimento da ministra com suas declarações.

A sessão na Comissão de Infra-Estrutura do Senado começou por volta das 10h20 desta quarta-feira. Oficialmente, ela foi convocada para falar sobre o PAC, mas a oposição quer aproveitar a audiência para fazer questionamentos sobre o suposto dossiê elaborado pela Casa Civil com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Assim que chegou ao Senado, a ministra disse que responderia a todas as perguntas. Dizendo estar tranqüila, ela foi recebida pelo senador José Sarney (PMDB-MA) e pela tropa de choque do governo. "Vou responder a todas as perguntas, estou tranqüila", disse a ministra.

Ainda nesta quarta-feira, pela manhã, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que não haverá necessidade de nova convocação para falar especificamente sobre o dossiê ¿ conforme requerimento aprovado na mesma comissão. "Hoje nós liquidamos esse assunto [dossiê], não tem porque ter outra [audiência]", disse. 

(*com informações da Reuters)

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