No Rio, casarão poderá abrigar museu de arte popular

Distante 180 quilômetros da capital do Estado do Rio, Barra de São João, pequeno distrito de Casimiro de Abreu, terra natal do poeta romântico que dá nome ao município, poderá ter em breve um museu de arte popular digno de cidade grande. As 500 obras destinadas a ele, reunidas durante 50 anos por um professor da Universidade Federal do Rio, e compradas após sua morte por um colecionador português, poderão ser abrigadas em um casarão do século 18.

Agência Estado |

A liberação depende agora da prefeitura local.

O produtor cultural francês Romaric Büel, ex-adido do Consulado da França no Rio, apresentou ao amigo bilionário português Joe Berardo a coleção do professor Paulo José Pardal há dois anos. Berardo, dono de Picassos, Mirós, Dalís, Pollocks, Mondrians, entre outros, não conhecia a arte popular brasileira. Ficou encantado, especialmente pela dedicação de Pardal à coleção. Entre os autores estão o artista baiano Francisco Guarany (1884-1985) e seu filho Ubaldino. Também se destacam as esculturas de Francisco Moraes da Silva (1936- 2007), o Chico Tabibuia. O escultor baiano Manuel Inácio da Costa (1763-1857).

Pelo projeto apresentado à prefeitura de Casimiro de Abreu, o Museu de Arte Popular teria uma área de 500 metros quadrados. Alugado pelo município, o casarão colonial branco de janelas azuis, à beira do Rio São João, ocupado por uma biblioteca pública, foi o escolhido, mas precisa passar por uma grande reforma. As instalações hidráulica e elétrica têm de ser revistas, o piso de madeira, original, tem de ser refeito. Há infiltrações nas paredes e infestação de cupins.

O Ministério do Turismo já tinha liberado R$ 700 mil. O problema é que agora a prefeitura condicionou a liberação do casarão ao restauro de um outro imóvel, pelo comendador. Ele está desapontado, e eu também, diz Büel. Seu sonho é criar um polo cultural no distrito, que incluiria o museu, a Casa de Cultura de Casimiro de Abreu, na qual o poeta passou a infância contada em seus versos. Caso não se chegue a um acordo, a coleção sairá de Barra de São João - outros municípios já estão interessados. Ou pode seguir para Portugal. A prefeitura ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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