No primeiro dia de restrição aos fretados, passageiros reclamam de atrasos

SÃO PAULO - O analista comercial Felipe Augusto, de 25 anos, mora em Santana, zona Norte, e costumava chegar ao trabalho, na Vila Olímpia, zona Sul da capital paulista, por volta das 7h40. Nesta segunda-feira, às 8h30, ainda estava desembarcando de um ônibus fretado em frente à estação Cidade Jardim do metrô. Dali, calculava que teria que caminhar por mais 25 minutos até o escritório. Isso porque entrou em vigor hoje a restrição à circulação de fretados em uma área de 70 km² no centro da cidade.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

Lecticia Maggi
Augusto vai vender moto e comprar carro
A medida proíbe a circulação em avenidas como a Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Para que os passageiros cheguem aos seus destinos a Prefeitura criou 14 pontos de embarque e desembarque ¿ sete deles próximos a estações de metrô.

Mas, no caso de Augusto, as alternativas não devem adiantar. Preciso chegar antes das 8h ao trabalho. A solução que encontrou: vai começar a trabalhar de carro. Tenho moto, mas é ruim, vou trocar por um carro e daqui algumas semanas já devo vir com ele, afirmou.

Seus gastos, no entanto, devem aumentar, já que a empresa na qual trabalha reembolsa integralmente o valor cobrado pelos fretados. Para os funcionários que vão de carro só paga o estacionamento. Vou gastar R$ 400 a mais por mês com gasolina, disse.

No bolsão da estação Cidade Jardim, não faltaram pessoas perdidas pedindo orientação aos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) sobre como faziam para chegar aos seus destinos. Outras, mostravam-se indignadas. Convido o senhor Kassab a pegar fretado comigo um dia. É brincadeira o que eles fizeram com a gente, reclamava o analista Roberto Silva, de 27 anos.

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Desorientados, passageiros pedem informações a agente da CET

Morador da cidade de Guarulhos, Silva precisava chegar até a Rua Funchal, na Vila Olímpia. Sempre acordava às 6h, hoje levantei às 5h. Vou vir de carro, afirmou.

O analista financeiro Vagner Mozarth, de 34 anos, acordou uma hora mais cedo para pegar o fretado no bairro de São Mateus e chegar até 8h ao seu trabalho, na Avenida Faria Lima. Porém, às 8h40, descia do ônibus. Passamos pelas quatro zonas de São Paulo. É impossível. Amanhã vou vir de carro, não é isso que o Kassab quer?, ironizou.

Quem não pode optar por um automóvel particular desanima-se ao pensar nas conduções a mais que terá que pegar. É o caso da assistente financeira Jaqueline Fernandes Pereira, de 26 anos, moradora da zona norte e que seguia rumo à Vila Olímpia. Ficou muito longe para mim, não compensa. Vou ter que usar ônibus normal, metrô e outro ônibus. Atrapalhou bastante, afirmou, acrescentando que para conseguir fazer isso passará a acordar às 5h15.

Problemas para a volta

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Ricci espera fretado em Santo André às 5h45
Preocupado em perder o local de desembarque, o analista de sistemas Cezar Augusto Ricci, de 21 anos, veio acordado durante o trajeto do fretado, que pegou na cidade de Santo André e desceu na estação Hebraica da CPTM. Além disso, teve que acordar às 5h, 45 minutos antes do horário que costumava levantar.

Mesmo assim, Ricci ainda comemorava o fato de ter sido menos prejudicado que outros colegas: por sorte, daqui até o meu trabalho demoro 10 minutos caminhando.

Sem tantos transtornos na ida, o analista estava receoso sobre o que faria na volta, para chegar a tempo à faculdade que cursa na cidade de São Caetano. Não sei se vai dar tempo de pegar o fretado porque ele só sai às 6h15. Se não der, vou ter que pegar um ônibus, metrô, trem e mais um ônibus, afirmou.

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