O Ministério da Agricultura vai investir R$ 1 milhão na implementação de um sistema de geomonitoramento por satélite para fiscalizar o desmatamento de áreas preservadas e fazer o rastreamento de gado no Pará. O sistema será implantado até o fim do ano, começando pelo no sul e leste do Estado, áreas nas quais o desmatamento é considerado mais crítico, informou hoje o titular da pasta, Reinhold Stephanes.

Os produtores do Estado vêm sofrendo boicotes de supermercados e frigoríficos depois que o Ministério Público (MP) do Pará decidiu considerar esses estabelecimentos responsáveis solidários, caso comercializem carne e derivados provenientes de fazendas cujos donos são acusados de crimes ambientais. O custo anual de manutenção do sistema de R$ 2,5 milhões será bancado inicialmente pelo ministério, mas nos anos seguintes deverá ser dividido com produtores, frigoríficos, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que também participa do projeto.

Um ano depois da primeira fase de implantação do projeto, a expectativa é a de que todo o Pará já tenha a cobertura do sistema, elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Stephanes lembrou que a pecuária é considerada um dos cinco maiores responsáveis pela degradação do meio ambiente. Os demais são carvoaria, extrativismo, madeira e assentamento.

"Com isso, acaba essa discussão toda que existe e que chega a ser estéril", comentou. Ao contrário do sistema atual de rastreabilidade de gado, que é voluntário, a adesão ao monitoramento por satélite será obrigatório no Estado. A área mais crítica inclui 150 mil quilômetros quadrados, onde estão localizadas 12 mil fazendas produtoras.

GTA

O Brasil tem condições de realizar o geomonitoramento no Pará porque não há tráfego animal no Estado sem que seja emitida um Guia de Trânsito Animal (GTA), que funciona como um passaporte do boi. "O que eu preciso fazer, então? Emitir uma GTA eletrônica no Pará com dados interligados a um computador em rede, passando as informações em tempo real", explicou Stephanes.

Depois, o governo pretende transferir o sistema para entidades representativas da iniciativa privada, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As normas, no entanto, continuarão sob o guarda-chuva do ministério, que receberá informações diariamente.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.