No Dia de São Jorge, fiéis pedem fim da dengue no Rio

O Dia de São Jorge levou milhares de fiéis a diversas paróquias para prestar homenagens ao santo guerreiro e também rezar pelo fim da epidemia de dengue, que matou 92 pessoas no Estado. Jorge Marques Pintor, de 54 anos, aproveitou o feriado para fazer uma boa ação depois de assistir a uma missa na Igreja de São Jorge, em Niterói (Grande Rio): decidiu doar sangue para ajudar as vítimas da doença.

Agência Estado |

"Pedi a São Jorge pelo fim da epidemia. A gente tem de apegar-se a algo acima da matéria, tem de acreditar", afirmou Pintor, que não teve a doença.

Na Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino (zona norte), o padre Marcelino Modelski também falou sobre a moléstia. Durante a liturgia, padre Marcelino criticou o poder público, "que não consegue nem matar um mosquito e nem sempre faz o que deveria fazer para proteger a população das mazelas atuais".

"A dengue é como se fosse um dragão, que precisa ser combatido pelas autoridades da mesma forma que São Jorge travou suas batalhas: com a espada em punho. O povo apega-se ao santo guerreiro por ser ele um protetor, já que nem sempre pode contar com o poder público. Por isso, eles vêm aqui e pedem proteção contra a dengue e também contra a violência", afirmou. Em Santa Cruz, na zona oeste, onde em 1963 ocorreu uma epidemia de febre amarela, a população também rezou nas paróquias pelo fim da enfermidade.

Pedidos de paz e de segurança também foram feitos por muitos devotos. Essa é uma das grandes preocupações do padre, que afirmou hoje ter sido procurado por milicianos (grupos que exploram, ilegalmente, a segurança de favelas) para oferecer a proteção das redondezas da igreja de Quintino, no dia da festa do santo. "Isso foi passado aos comandos das Polícias Civil e Militar. Os milicianos ofereceram-nos segurança e nós dissemos não. Pedimos apenas que não atrapalhassem a festa", afirmou.

Delegado

O delegado-titular da 28ª Delegacia de Polícia (DP), Otílio Bezerra, responsável pela área de Quintino, disse que um inquérito policial foi instaurado para apurar quem são os responsáveis pela milícia na região. "Ainda não conseguimos identificar as pessoas que procuraram o padre e recebemos, até agora, poucas ligações de disque-denúncia. Nós também reforçamos a segurança na área para que a festa de hoje não seja atrapalhada", disse Bezerra, que assistiu à missa.

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