No debate carioca, Paes se defende do apoio de Lula

O candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Eduardo Paes, teve que defender o apoio que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno durante o debate de ontem na TV Record. O candidato do PV, Fernando Gabeira, cobrou que ele desse a sua visão do escândalo do mensalão que teriam levado Paes, então tucano e sub-relator da CPI dos Correios, a chamar o presidente de chefe de quadrilha.

Agência Estado |

O verde, no entanto, foi questionado sobre o apoio do prefeito Cesar Maia (DEM) e teve o conhecimento da cidade testado várias vezes pelo adversário. Paes, que já tinha tentado fugir de uma pergunta de um dos apresentadores sobre seu pedido de desculpas a Lula por sua atuação no caso do mensalão, disse não se arrepender de ter investigado o governo do PT, mas afirmou que se aproxima do presidente para, se vencer, governar em parceria com os governos federal e estadual.

"Fui subrelator da CPI, que apurou desvios que aconteceram e não me arrependo disso. Se tem uma coisa que faz mal a essa cidade é o isolamento político. Não dá mais para ficar mais nesse conflito", disse Paes, criticando a postura oposicionista do prefeito Cesar Maia (DEM), cujo apoio a Gabeira o peemedebista denunciou em várias oportunidades. Gabeira ironizou, disse que Paes foge da pergunta numa nova modalidade esportiva, o "salto de pergunta". O verde disse que o peemedebista tem uma postura subserviente e obediente. "Vamos logo resolver essa parada do Cesar Maia", propôs Gabeira, pedindo a Paes que definisse o início de sua carreira política como auxiliar do prefeito.

Paes disse se orgulhar de ter participado dos primeiro governo de Maia, mas chamou a atual administração de "tragédia". Gabeira o corrigiu, lembrando que o peemedebista foi secretário de Maia no segundo governo dele e apoiou, como tucano, a sua reeleição em 2004. Sobre sua passagem por vários partidos, Paes admitiu o que classificou de "equívodo da minha trajetória política", mas sustentou que isso não lhe tira credibilidade para governar. Sem mencionar sua transição entre PT e PV, Gabeira disse que quando muda de opinião "escrevo um livro ou explico aos eleitores". Paes quis saber de Gabeira por que ele defendeu na Câmara projetos que acabavam com o crime de corrupção de menores e tráfico de mulheres. O verde disse que apenas quis terminar com a figura criminal da sedução e englobar o tráfico de mulheres no de pessoas e deu um pito no adversário:

"Trate de ler depois o projeto para fazer uma pergunta adequada". Na tentativa de evidenciar a pouca experiência administrativa do verde, Paes também perguntou a Gabeira quais eram os seus planos para a AP3 (Área de Planejamento 3) da cidade sem citar que a sigla se refere à zona norte. Gabeira admitiu não saber e disse que o candidato tentou lançar "uma pegadinha" e deu outra bronca: "Que coisa juvenil!". Paes pediu respeito: "Ninguém está aqui de brincadeira. Estamos discutindo a cidade e quem quer administrá-la tem que ter um conhecimento mínimo de planejamento."

Questionado sobre sua polêmica defesa da legalização da maconha, Gabeira repetiu que mudou de idéia. "Compreendi que estávamos no caminho errado. O problema não é discutir a legalização, mas reformar a polícia", disse. Paes também disse ser contra e atribuiu ao tráfico de drogas o crescimento da violência na cidade. Paes questionou o que chamou de "propostas mirabolantes" de Gabeira, como a utilização de aviões não tripulados para monitorar focos da dengue. "Mirabolantes talvez para a sua visão prosaica", devolveu Gabeira, que até se comparou a Santos Dumont, alvo de descrédito na sua época. "Talvez eu me assuste porque eu conheço o sofrimento das pessoas e entenda que essas propostas não são prioridades", devolveu Paes. Apesar do tiroteio entre os candidatos, os ânimos não se exaltaram durante o debate.

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