Por Stuart Grudgings RIO DE JANEIRO, 13 de fevereiro (Reuters) - Em Carnavais passados, Thiago Rodrigues conseguia alívio da pressão de dezenas de cervejas sem nem olhar para o lado. Não é mais o caso.

"Você não me viu fazer isso, ok?", disse o vendedor de 22 anos, que usava uma enorme peruca afro e pouco mais que isso como fantasia, depois de urinar numa viela perto de uma das imensas festas de Carnaval de rua no sábado no Rio de Janeiro.

"Olha, não dá para esperar com isso. Você viu o tamanho das filas para os banheiros químicos?".

Ali perto, um homem começou a levantar sua fantasia de freira e logo depois emitiu um suspiro de alívio.

Todo ano, a maior festa do mundo na cidade praiana traz consigo o cheiro pungente de milhares de foliões animados por muitas cervejas que vão buscar alívio na parede mais próxima ou nos bueiros.

Nas maiores festas, a falta de banheiros crônica do Rio de Janeiro e enormes quantidades de cerveja conspiram para criar rios de urina que podem deixar os despreparados chocados.

Autoridades da cidade agora estão pedindo um tempo à maré amarela, que eles dizem ser a principal reclamação dos visitantes do Carnaval. Ansiosos por apresentar um Rio mais limpo antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olímpiadas de 2016, autoridades estão multando e dando até dois anos de cadeia para pessoas que urinam em público.

"Estamos fechando o cerco", disse o secretário de ordem pública municipal Rodrigo Bethlem. "Quem for pego urinando será levado às estações de polícia e acusado de atentado ao pudor."

Setenta e sete "urinadores", inclusive mulheres, já foram presos nas festas de rua de sexta-feira. A cidade também quadruplicou o número de banheiro químicos para 4.000 para dar aos foliões uma chance de urinar dentro da lei.

DILEMA DESAGRADÁVEL

A política é parte de uma tentativa mais ampla de corrigir os problemas de ordem da cidade enquanto ela se prepara para mostrar sua cara para o mundo nos enormes eventos esportivos.

No último ano, a cidade começou a dar batidas para impedir a proliferação de construções e vendedores ilegais. Recentemente implementou uma política chamada "choque de ordem" no lugar mais sagrado para os cariocas, as praias.

"O Rio tem de mudar", disse Bethlem à Reuters.

Ele disse que o problema da urina no Carnaval era tal que estava corroendo os edifícios e marcos históricos do Rio, inclusive um dos cartões postais da cidade, os arcos da Lapa.

No meio da manhã de sábado, enquanto milhares de foliões fantasiados reuniam-se nos bairros centrais do Rio bebendo cerveja sob um sol forte, a política começava a mostrar sinais de enfraquecimento.

À medida que cresciam as filas para os relativamente poucos banheiros químicos, mais e mais pessoas entravam furtivamente nas vielas para se aliviar.

A súbita preocupação higiênica do Rio criou um dilema desagradável para os foliões --esperar em longas filas para usar banheiros químicos cada vez mais sujos ou se arriscar a ser pegos pela polícia.

"É melhor que nada", disse a estudante Nathalia Hollanda, de 21 anos, enquanto saía, com uma cara horrorizada, de dentro de um banheiro químico fétido na Lapa na sexta-feira à noite.

"Normalmente teríamos de ir para trás de um carro em algum lugar escuro para que ninguém veja. É muito mais fácil para os homens, eles podem fazer isso em qualquer lugar."

Mauro Guimarães, um policial de 27 anos que não estava em serviço, cambaleou para fora de um cubículo momentos depois, xingando o fedor.

"Os banheiros químicos são uma grande idéia," disse ele. "Quando estou andando com minha esposa não quero que ela tenha de ver homens com tudo pra fora."

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