SÃO PAULO ¿ A atenção que Tom Cruise está recebendo graças à sua visita com a família ao Rio de Janeiro deve render bem mais do que boas fotos e a simpatia do povo brasileiro. O astro hollywoodiano quer mostrar seu famoso sorriso para as câmeras e fazer com que as salas estejam cheias na estreia, na próxima sexta-feira (13), de seu novo filme, Operação Valquíria.

A peregrinação do ator para promover o trabalho já teve escalas na Itália, Rússia e Alemanha, entre outras nações da Europa, Coréia do Sul, no Oriente, e chega agora ao Brasil, além de, no futuro, possivelmente passar pela Índia. O esforço vem surtindo efeito ¿ o longa-metragem dirigido por Bryan Singer ("X-Men", "Superman - O Retorno") foi bem acolhido pelo público nos locais visitados por Cruise.

Tanto afinco do ator em aproximar as pessoas do filme é justificado pelo interesse histórico da trama. Baseado em fatos reais, "Operação Valquíria" relata o complô planejado por altos oficiais do exército alemão para derrubar Hitler em plena Segunda Guerra Mundial. Cruise, claro, interpreta o herói da história: o coronel Claus von Stauffenberg, líder dos revoltosos, caracterizado por um chamativo tapa-olho.

Mais do que relembrar a luta de mártires contra o nazismo, no entanto, Cruise quer e precisa alavancar sua carreira, adormecida desde 2005, quando lançou seu último sucesso nos cinemas, a versão de Steven Spielberg para o clássico de ficção científica "Guerra dos Mundos". No mesmo ano, o ator protagonizou dois episódios bizarros e que prejudicaram sua imagem junto aos fãs.

Em cena famosa, Tom Cruise sobe
no sofá de Oprah Winfrey / Reprodução

O primeiro deles foi uma famosa aparição no popular programa da apresentadora Oprah Winfrey, no qual pulou no sofá, ficou de joelhos e não parava de declarar seu amor a Katie Holmes (namorada na época, atual mulher). Seu compartamento bizarro, ao invés de mostrar um maluco apaixonado, deixou a impressão de que ele estaria abusando de drogas ou medicamentos.

Pouco depois, Cruise, que é adepto da Cientologia e um de seus maiores defensores, criticou publicamente a atriz Brooke Shields por utilizar antidepressivos após dar a luz a sua primeira filha. A Cientologia não leva a psiquiatria muito a sério, mas o ator foi mais longe e afirmou que se trata de uma "ciência nazista", bem antes dele se interessar pela história do levante alemão. As declarações causaram mal-estar na mídia e no meio artístico, tanto que no ano seguinte Cruise teve que se desculpar pessoalmente com Shields.

Os incidentes, indiretamente ou não, acabaram afetando o desempenho do astro no mercado doméstico. Com um orçamento de US$ 150 milhões, "Missão Impossível 3" não conseguiu se pagar nas bilheterias e, de ator mais bem pago de Hollywood, com direito a 30% da renda de cada filme, Cruise se viu abandonado pela Paramount Pictures, que rescindiu seu contrato. "Leões e Cordeiros" teve destino semelhante à saga e mais uma vez decepcionou comercialmente.

Os oficiais alemães que conpiram contra Hitler em "Operação Valquíria" / Divulgação

A maré começou a mudar no ano passado, quando a participação irreconhecível de Cruise na comédia "Trovão Tropical", debaixo de quilos de maquiagem, lhe rendeu até uma indicação ao Globo de Ouro como melhor ator coajuvante. Apostando pesado no carisma do astro, a United Artists gastou US$ 75 milhões para produzir "Operação Valquíria" e outros US$ 60 milhões em marketing promocional.

Na América do Norte, o resultado até o momento foi apenas satisfatório ¿ cerca de US$ 80 milhões ¿ dada as expectativas e recebeu críticas variadas. Resta agora ver como a aventura vai se sair no mercado externo, caso do Brasil, para saber se Cruise voltará a figurar entre os grandes de Hollywood.

"Sempre quis matar Hitler"

Durante coletiva de imprensa recente na capital sul-coreana, Tom Cruise declarou que desde criança sentia sua veia justiceira clamando por uma pena severa para o líder nazista. "Sempre quis matar Hitler", afirmou em Seul. "Quando era pequeno, me perguntava por que ninguém tinha decidido matá-lo", afirmou.

"Operação Valquíria" mostra a sequência de fatos que levaram ao atentado a bomba contra Hitler no dia 20 de julho de 1944. Um anos antes, um grupo de militares alemães havia percebido que a morte de Hitler seria o único modo de formar uma chapa de governo aceitável para os Aliados e, assim, evitar a invasão da Alemanha pela União Soviética e um possível derramamento de sangue.

O verdadeiro coronel Stauffenberg e Cruise caracterizado para o papel / Divulgação

O plano previa que assim que Hitler fosse morto, seria posta em prática a Operação Valquíria, plano de emergência aprovado pelo próprio fuhrer, criado originalmente para ser usado em caso de um bombardeio em massa na Alemanha ou de uma grande revolta nos países ocupados.

Comandado pelo coronel Claus von Stauffenberg, o levante foi mal-sucedido. O fracasso levou à prisão de 7 mil pessoas pela Gestapo, a polícia secreta nazista. Dessas, acredita-se que 5 mil tenham sido mortas, praticamente acabando o movimento de resistência alemã.

A história, contada do zero pelos roteiristas Christopher McQuarrie ("Os Suspeitos") e Nathan Alexander, deu origem a uma série de livros narrando o episódio. Três deles acabaram de chegar ao Brasil, com o mesmo nome do filme ¿ escritos pelo alemão Tobias Kniebe (editora Planeta), pelo espanhol Jesús Hernández (Novo Século) e por Philipp Freiherr von Boeselager, um dos conspiradores (Record). Um quarto título, narrando os diversos atentados contra Hitler, deve ser publicado em breve pela Ediouro.

Apesar do viés histórico, o diretor Bryan Singer tem outra visão de Cruise como Stauffenberg. Ele encara o filme como um thriller, um gênero em que o ator se sai muito bem, como em "Missão Impossível". Para o cineasta, Stauffenberg é também um herói por haver tentado matar um dos mais notórios vilões do século 20. "Nesse contexto, Tom Cruise foi uma escolha natural", afirmou o diretor.

* Com agências internacionais

Assista ao trailer de "Operação Valquíria"

Leia mais sobre: Tom Cruise

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.