Neta de Dorival Caymmi relembra seus últimos momentos com o avô

Primeira neta e biógrafa do músico baiano Dorival Caymmi, Stella Caymmi foi uma das pessoas que mais conviveu com o compositor nos últimos anos. Filha da também cantora Nana Caymmi, ela passou uma década reunindo o material utilizado no livro Dorival Caymmi: o Mar e o Tempo, lançado pela editora 34 em 2001.

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"Comecei as entrevistas com meu avô em 1990 e passei os dez anos seguintes coletando depoimentos, anexos, discografias... Tanto que o livro acabou com 300 imagens que incluem pinturas, capas de discos, manuscritos com desenhos, recortes de jornais e composições", disse ela durante uma rápida entrevista.

Stella recordou-se com carinho desse período de sua vida, onde a convivência com o avô tornou-os quase cúmplices. "Sempre que eu o encontrava acabava fazendo uma entrevista. Tenho quase 100 horas gravadas e muitas mais onde acabamos nos falando sem um gravador", conta.

De acordo com ela, Dorival ficou muito feliz em ter a neta como sua biógrafa, tanto que antes da obra ser publicada ela leu as 540 páginas para o avô, procurando por sua aprovação. "No final ele virou um fã", lembrou rindo.

"O engraçado foi que em determinado momento ele, que sempre teve uma memória extraordinária, começou a me consultar. Ou acabava me contando mais coisas e eu ficava com aquela sensação ruim de não ter colocado essas novas informações no livro."

Entre as lembranças recentes do avô, Stella revela que passou os últimos meses lendo para ele a biografia de Carmem Miranda de autoria de Rui Castro. "Ele curtia muito esses momentos de leitura, pois ele e a Carmem começaram suas carreiras muito próximos. Foi maravilhoso poder vê-lo feliz ao reviver o passado", contou Stella, que além da biografia de Carmem, revelou ter lido também alguns contos eróticos de Carlos Heitor Cony para o avô. "Ele adorava."

"A última vez que o vi foi na madrugada de quarta para quinta-feira. Eu iria vê-lo ontem, mas o enfermeiro disse que meu avô estava dormindo, coisa corriqueira nessas últimas semanas por conta do efeito dos medicamentos", explicou ela.

De acordo com Stella o velório já está marcado para às 15h00, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Até o momento da entrevista o horário do enterro, que deve ocorrer no Cemitério São João Batista, não havia sido definido por conta de Dori Caymmi, que está vindo dos Estados Unidos para se despedir do pai.

"A família estava sempre perto, mas meu tio teve de cumprir sua agenda no exterior e acabou não estando presente. Ele embarcou hoje e deve chegar domingo pela manhã. Como não queremos arriscar, provavelmente deixaremos o sepultamento para o fim da tarde", finalizou.

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