Nem chuva impede paulistano de ver decoração de Natal em São Paulo

Quinta-feira, dia 17 de dezembro, 20h. Nem mesmo a forte chuva que atingia a cidade de São Paulo fez com que os paulistanos deixassem de sair de casa para ver a decoração de Natal. Na avenida Paulista, diversas pessoas se espremiam sob guarda-chuvas para a assistir às apresentações de um coral em frente a um banco decorado. Em frente à árvore do Ibirapuera, na zona sul, quase uma centena de pessoas vestidas com capas de chuva eram vistas admirando o show de luzes.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |


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Mesmo com chuva, paulistano foi ver a árvore no Ibirapuera

Mesmo com chuva, paulistano foi ver a árvore no Ibirapuera

Tudo para ver São Paulo iluminada. Este ano, são cerca de 35 milhões de microlâmpadas, 3,5 mil refletores e 25 km de mangueiras iluminadas espalhadadas em mais de 120 km de vias na capital. A Prefeitura gastou R$ 5,9 milhões para garantir a decoração na cidade.

Além da avenida Paulista e Ibirapuera, destacam-se as decorações no Museu Paulista, Patteo do Colégio, Vale do Anhangabaú, Ponte Estaiada e Represa do Guarapiranga.

Mas, se para alguns os enfeites são pontos turísticos, para outros representam um verdadeiro pesadelo natalino. Isso aqui vira um inferno. Os motoristas diminuem a velocidade para ver a árvore (do Ibirapuera) e a região trava. É uma coisa linda, mas precisava ser algo que não atrapalhasse o trânsito, queixa-se a enfermeira Hélia Camargo, que trabalha na Vila Clementino e mora no Jaguaré.

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Dia em que a árvore foi inaugurada no Ibirapuera

Dia em que a árvore foi inaugurada no Ibirapuera

Na quinta-feira à noite, por volta das 21h40, mesmo com a chuva, a cidade tinha boas condições de tráfego, exceto próximo ao Ibirapuera. A avenida Brasil e a Pedro Álvares Cabral estavam travadas. O bancário Ricardo Bittencourt é um dos que antes mesmo da inauguração da árvore ¿ quando ela só era ferros empilhados ¿ já imaginava este caos que estava por vir. Todo ano é assim. Moro aqui na Vila Nova Conceição e cada metro dessa árvore corresponde a um minuto a mais para eu chegar em casa, afirma.

A estudante Patrícia Monteiro, de 21 anos, aprendeu que, em época de Natal, se não quiser ficar horas no trânsito deve desviar das regiões enfeitadas. No ano passado, no dia de inauguração da árvore, um domingo, estava na casa de uma amiga no Brooklin. Ela veio me trazer para a casa, na Paulista, e demoramos duas horas e meia para chegar. Saí às 20h e cheguei por volta das 22h30, conta. Em dias normais, diz, o trajeto não levaria mais do que 30 minutos. Nunca mais.

Índices

O congestionamento relatado pelas pessoas entrevistadas pelo iG é comprovado por índices medidos pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No final de semana dos dias 21 e 22 de novembro, a lentidão registrada na cidade não ultrapassava 5 km. Às 19h de sábado (21) era de 5 km, às 20h, de 2 km. E, no domingo, às 20h, sequer havia lentidão na cidade.

Já no mesmo horário do último domingo, quando a cidade já estava toda enfeitada, chegou aos 12 km. No sábado, o pico foi de 40 km. Índice bem acima para o dia e horário, segundo a CET.

O taxista Brasil Chimati, de 59 anos, verifica diariamente esta piora no trânsito. Fim de semana, além dos carros andarem devagar, tem família que para no meio da avenida para tirar foto, reclama. A região do Ibirapuera ele procura evita porque fica imprestável. É uma confusão, fila dupla, carro estacionado em local proibido e pouca fiscalização, afirma. Já da avenida Paulista é bem mais difícil de desviar. Agora, demoro 40 minutos para atravessar, afirma.

O oposto

Enquanto alguns sofrem com o trânsito natalino, o frentista *Carlos, de um posto próximo ao Ibirapuera, era só alegria e comemorava o aumento nas vendas por causa da árvore. Isso aqui fica lotado todos os dias. À tarde e à noite, não tem espaço. Mesmo em dias de chuva, tem gente que vem. A gente vendia cerca de 3 mil litros de combustível entre as 14h e 22h. Agora, com a árvore, vendemos entre 4,5 mil e 4,8 mil litros, sorria.

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Fachada do Banco de Boston, na Avenida Paulista

Fachada do Banco de Boston, na Avenida Paulista

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado

**Colaborou Camila Nascimento, do iG São Paulo

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