O veterano cineasta Nelson Pereira dos Santos, diretor de clássicos como Rio 40 Graus (1955) e Vidas Secas (1963), lança novo filme no final deste ano. É um documentário sobre Antonio Carlos Jobim, intitulado A Música Segundo Tom Jobim. A estreia está prometida para dezembro. Estamos na fase de pesquisa, revela o cineasta. A ideia do diretor é reunir imagens do próprio Tom e também de outros artistas interpretando suas canções. Quero fazer um filme musical, resume Nelson. Talvez grave depoimentos de algumas pessoas. O Chico Buarque, por exemplo. Mas coisas curtas. O importante é a música.

"A Música Segundo Tom Jobim" também foi o nome de uma série que Nelson dirigiu nos anos 80. Neles, ele filmou Tom recebendo convidados como Dorival Caymmi, Chico Buarque e Gal Costa em sua casa. "Foi um especial de quatro programas de uma hora cada que fiz para a TV Manchete em 1984", explica o cineasta. Ele pretendia usar parte desse material no documentário do mesmo nome, mas houve um problema: as imagens desapareceram. "O material estava no acervo da emissora e simplesmente sumiu", diz. "Só consegui encontrar algumas gravações caseiras, de péssima qualidade".

Até o momento, esse vem sendo o contratempo mais comum na realização do filme: encontrar material bom o suficiente para a edição final. "Temos muitas amostras de má qualidade", explica. "Agora que temos patrocínio (o filme é um dos projetos bancados pela Natura este ano), vamos correr atrás dos donos dos direitos das imagens originais". O processo de seleção e montagem dessas amostras, segundo Nelson, deve durar mais três meses. Depois disso, começa a edição final. Dora Jobim, neta de Tom e co-diretora do filme, calcula que há 50 DVDs de material para ser analisado.

De acordo com o cineasta, o contato diário com essas imagens foi uma forma de reencontrar o amigo Tom. "Era um prazer enorme estar com ele. Onde o Tom ia, uma turma enorme ia junto", lembra. Depois que "A Música de Tom Jobim" for lançado, Nelson retornará a um outro projeto que envolve o maestro. Intitulado "Luz do Tom", ele enfoca três mulheres importantes na vida do músico: sua irmã Helena e suas duas mulheres, Thereza e Ana. Seu plano é se dedicar a esse documentário no ano que vem, depois que o primeiro filme sobre Tom for lançado.

E há, também, diversas ideias para filmes de ficção - aos 81 anos, o diretor não pensa em se aposentar tão cedo. Seu trabalho mais recente, "Brasília 18%", é de 2006. "Ideias sempre existem, claro. Mas, esse ano, só quero saber do Tom".

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