Nayara pede para juiz retirar Lindemberg da sala durante depoimento em Santo André

SANTO ANDRÉ - A estudante Nayara Rodrigues, de 15 anos, prestou depoimento por quase duas horas, nesta quinta-feira, sobre a morte da amiga Eloá Pimentel. As duas foram mantidas reféns por mais de 100 horas, em outubro de 2008, por Lindemberg Alves, 22, que também deve prestar depoimento hoje.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

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O depoimento de Nayara terminou por volta das 11h. Segundo a assessoria de imprensa do Fórum, a jovem estava calma, mas pediu para o juiz retirar Lindemberg da sala. Em quase duas horas, ela repetiu o que já havia dito à polícia e reiterou que Lindemberg não efetuou disparos antes da invasão ao apartamento. Policiais que participaram da operação disseram que só realizaram a invasão depois de terem ouvido um tiro dentro do apartamento.

Depois de Nayara, prestaram depoimento Victor Lopes de Campos e Iago Vilela de Oliveira, amigos de Eloá e que foram mantidos reféns nas primeiras horas do sequestro. O sargento Athos Antônio Valeriano também prestou depoimento. Ele participou das negociações, no 1º dia de sequestro, quando quase foi acertado por um tiro disparado por Lindemberg. "Ele atirou na minha direção para provar que não era bonzinho", disse em depoimento.

O irmão de Eloá, Ewerton Douglas Pimentel da Silva, foi o último a prestar depoimento como testemunha de acusação. Ele disse que encontrou com Lindemberg no dia anterior e "parecia que estava se despedindo". 

O juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, preside a audiência. Os próximos depoimentos deveriam ter sido retomados às 13h30, mas estão atrasados. Neto ouvirá na parte da tarde os depoimentos das testemunhas de defesa, de Lindemberg e, em seguida, as manifestações da defesa do réu e do Ministério Público. Ao todo, entre testemunhas de acusação e defesa, 22 pessoas devem prestar depoimento.

A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, disse que ainda não sabe se o jovem falará sobre o crime ou vai se manter em silêncio. Lindemberg, que está detido no Presídio II de Tremembé, chegou por volta das 8h30 ao Fórum de Santo André. Os familiares de Eloá, que namorou o jovem, também se encontram no local.

Arquivo pessoal

Nayara e Eloá em foto de arquivo pessoal

No presídio, Lindemberg recebe visitas de sua advogada a cada 15 dias. Segundo ela, a mãe e os irmãos do jovem também costumam visitar o rapaz. Ele responde por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e com impossibilidade de defesa da vítima -, tentativa de homicídio, cárcere privado contra menor e disparo de arma de fogo.

Entenda o caso

AE
Lindemberg ao ser preso na últma 6ª
Lindemberg ao ser preso
O sequestro começou em uma segunda-feira, dia 13 de outubro, em Santo André (SP). Alves invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante. No dia seguinte, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira (16). Seu retorno foi pedido pelo sequestrador como condição para a libertação de Eloá. Quando a menina entrou no apartamento, voltou a se tornar refém.

Pouco antes do desfecho, na sexta-feira, dia 17 de outubro, a equipe do Batalhão de Choque da Polícia Militar se posicionou no apartamento ao lado, onde estavam Lindemberg e as reféns. De acordo com a polícia, os agentes decidiram invadir o apartamento após Alves ter disparado. Eles arrombaram a porta da residência e explodiram uma bomba de efeito moral. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, neste momento a equipe ouviu três disparos vindos de dentro do apartamento.

Ao invadirem o local, os policiais dizem ter encontrado o sequestrador de pé, entre a sala e a cozinha. Eloá estava caída baleada na cabeça e Nayara tinha um ferimento na boca. A primeira a sair do apartamento foi Nayara. Ela caminhou e foi colocada numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Alves foi levado para uma viatura da Força Tática. Eloá saiu carregada por um policial em uma maca até a ambulância do Samu.

No Hospital, em Santo André, a ex-namorada do jovem teve morte cerebral e, após conversas com os médicos, a família decidiu doar os órgãos da menina. Nayara passou por uma cirurgia menos grave e foi liberada para prestar depoimento na delegacia.

Em novembro, a polícia fez a reconstituição do caso para tirar a última dúvida: Lindemberg disparou ou não antes da invasão policial? Os policiais não informaram à mídia se a pergunta teria sido respondida. Os dados foram anexados ao inquérito policial, que segue nesta quinta-feira com alguns depoimentos.

Veja a retrospectiva do caso


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