Nayara diz que não ouviu tiro antes da invasão da polícia

SANTO ANDRÉ - A jovem Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, disse, durante seu depoimento à polícia na tarde desta quarta-feira, que não ouviu tiros dentro do apartamento onde ela e sua amiga Eloá Cristina, também de 15 anos, eram mantidas reféns por Lindemberg Ferreira Alves, antes da invasão do local por policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

Lívia Machado, do Último Segundo |

Segundo o delegado seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, responsável pelo depoimento, a adolescente relatou que Lindemberg disparou um tiro no teto do apartamento às 15 horas e, um segundo, às 16 horas. Ela, disse Santos, garantiu que não houve um disparo antes da invasão dos policiais.

De acordo com Santos, Nayara afirmou que após a explosão da porta do apartamento, ação realizada por policiais do Gate, puxou um cobertor para a cabeça e não viu nada, apenas ouviu os dois tiros na direção de Eloá. Dali para frente, ela relatou que não ouviu mais nada e não lembra o que ocorreu na sequência.

O retorno ao apartamento

De acordo com o depoimento, Nayara confirmou que a polícia pediu que ela voltasse ao apartamento e participasse das negociações via telefone. A mãe da jovem, Andréa Araújo, não autorizou o seu retorno e nem sua participação na tentativa de encerrar o sequestro.

Durante a coletiva, o delegado Luiz Carlos dos Santos informou que Andréa Araújo não viu sua filha subir as escadas ou negociar diretamente com Lindemberg. O delegado confirma que o retorno de Nayara foi uma exigência do sequestrador.

Lindemberg acompanhou os passos da garota pelo olho mágico. Quando abriu a porta, ele estava com uma arma apontada para a cabeça de Eloá e exigiu que Nayara entrasse no apartamento novamente.

Vizinhos também são ouvidos

Além de Nayara da Silva, a polícia ouviu três moradores do prédio onde morava Eloá. Todos afirmaram que ouviram tiros antes de a polícia entrar, o que contradiz o relato da jovem ferida. 

Antes de terminar a coletiva de imprensa, o delegado Luiz Carlos dos Santos informou que será realizada uma reconstituição do crime, mas a data ainda não foi marcada.

Brava, mas orgulhosa

A mãe de Nayara também falou com a imprensa na noite desta quarta-feira. Ela afirmou que a "ficha ainda não caiu", mas reafirmou que a filha dela está bem. Andréa disse que ainda não decidiu se vai pedir indenização pelo o que aconteceu. O advogado que está cuidando do caso não é um conhecido da família e foi uma indicação de uma emissora de TV. Segundo a mãe, a família foi procurada por ele.

Andréa disse que como mãe ela está "brava, mas também orgulhosa" por Nayara ter voltado ao apartamento. Ela afirmou que não pode avaliar se a polícia errou ou não durante o sequestro.

Falhas na ação

O Coronel Eliseu Leite de Moraes, reponsável pela apuração da operação do Gate, acredita que não houve falha. "Até o momento não vemos falha nenhuma. Gate tentou preservar a vida dos envolvidos", afirmou.

Segundo o Coronel, caso seja confirmado o erro na ação, e essa falha tenha resultado na morte de Eloá, os policiais envolvidos podem sofrer sérias punições ou, em um quadro mais grave, serem expulsos da corporação.

Para a promotoria, o fato de haver um tiro antes da entrada do Gate não tem relevância. Lindemberg responderá por homicídio duplamente qualificado, referente à morte da Eloá, à tentativa de homicídio, contra Nayara, e à tentativa de homicídio contra um policial. Além de cárcere privado e disparo de arma de fogo.

Veja a retrospectiva do caso

O caso

O sequestro começou na segunda-feira (13) e se prolongou até sexta-feira, tendo durado mais de 100 horas. Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante.

Na terça-feira, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira. Seu retorno foi um pedido do sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, tornou-se refém.

Pouco antes do desfecho do sequestro, a equipe do Batalhão de Choque da PM estava posicionada no apartamento ao lado onde estavam Lindemberg e as reféns. De acordo com a polícia, na sexta-feira, os agentes decidiram invadir o apartamento após ouvirem um disparo.

O depoimento de Nayara é considerado importante para esclarecer a ordem dos acontecimentos, pois ainda há dúvidas se os tiros foram disparados devido à explosão da porta, ou se a invasão da polícia ocorreu por causa de um disparo anterior. 

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