Nascimentos diminuem 300 mil em seis anos no Brasil, mostra pesquisa do IBGE

RIO DE JANEIRO - O número de nascimentos no País caiu de 3,2 milhões, em 2000, para 2,9 milhões, em 2006, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Ministério da Saúde. Até 1960, a taxa de fecundidade total era superior a 6 filhos por mulher, caindo para 5,8 filhos em 1970. Em 2006, ficou em 1,99 filho, pouco abaixo do nível de reposição, que é de dois filhos.

Redação |

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Mulheres com mais estudo têm menos filhos
No entender do IBGE, o País teve um "declínio vertiginoso em 30 anos em relação a países desenvolvidos, que demoraram mais de um século para atingir patamares similares".

A queda no período foi mais acentuada nas regiões Sul e Sudeste, enquanto no Nordeste e Centro-Oeste o volume de nascimentos ficou praticamente estabilizado.

De acordo com o instituto, houve queda nos nascimentos de crianças de mães entre 15 e 24 anos e, um pequeno aumento, nas acima dessa idade.

Em 2006, 51,4% (1.512.374) dos nascidos vivos eram de mães com até 24 anos, sendo que 20,6% eram de mulheres entre 15 e 19 anos. Em 2000, esse grupo etário correspondia a 22,5%.

Entre garotas de 10 a 14 anos, o número de nascimento se manteve estável, correspondendo a 0,9% do total nos dois anos analisados, 2000 e 2006.

No Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, as proporções de nascimentos de mães com até 24 anos de idade foram menores que 50%. Já no Maranhão, em 2006, 66,2% dos nascimentos foram de mães com até 24 anos.

O estudo revela ainda que houve redução nas diferenças entre as taxas de fecundidade das mulheres com maior e menor grau de instrução. Ainda há predominância de maior número de filhos entre as mulheres com até três anos de estudo, mas a queda foi significativa nas últimas décadas.

Nas mulheres com até três anos de estudo esse índice passou de 7,2 filhos para três.

Pré-natal

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Maioria prefere cesárea para ter seus filhos
O número de mães que realizaram pré-natais ¿ sete ou mais consultas - durante a gravidez teve um aumento de mais de 10% em seis anos, passando de 43,7% para 54,5%. Enquanto isso, a proporção de mães que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% para 2,1%.

São Paulo e Paraná são os líderes na atenção ao pré-natal, visto que nesses Estados o número de mães que tiveram a gestação acompanhada foi superior a 70%. Por outro lado, no Amapá esse número não chegou a 24%.

Além de falhas no atendimento pré-natal, as regiões Norte e Nordeste apresentam falhas na cobertura dos óbitos infantis. No Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Maranhão e Ceará as subnotificações foram superiores a 40%.

Cesarianas

De acordo com o estudo, houve crescimento no número de cesáreas em todas as regiões do Brasil. Em 2006, os maiores percentuais foram observados nas regiões Sul e Sudeste e, principalmente, no sistema privado de saúde.

Entre as mulheres com plano de saúde, as cesarianas chegam a 80%, já nas que são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) as cesáreas correspondem a 26% do total de partos.

A pesquisa mostra ainda que as cesáreas são mais comuns entre as mulheres com maior nível de escolaridade, chegando a quase 70% entre aquelas com 12 anos ou mais anos de estudo.

Uma das boas notícias do estudo é que aumentou o percentual de nascimentos ocorridos em hospitais. Em 2000, foram 96,6% e, em 2006, 97,2%. Em 2006, apenas Roraima e Acre ainda não tinham atingido percentuais de cobertura hospitalar igual ou maior que 90%, conforme o IBGE.

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