Um em cada R$ 10 arrecadados diretamente pelas campanhas dos prefeitos eleitos nas 26 capitais foi bancado pelos setores imobiliário, de construção e engenharia. Levantamento feito pelo Estado mostra que, dos R$ 115,9 milhões captados por eles, pelo menos R$ 12 milhões (10,38%) saíram diretamente desses setores, que têm interesse nas verbas de obras das prefeituras e nas regras de licenciamento para construções, atribuição dos municípios.

Na prática, a participação das empresas é maior, porque parte das verbas foi repassada aos prefeitos por meio dos comitês financeiros (48,78%) e pelas direções partidárias (9,39%), que receberam dinheiro de empresas e pessoas físicas. Os comitês têm contabilidade à parte e os partidos só prestam contas de doações no ano seguinte.

Entre os prefeitos eleitos nas quatro capitais do Sudeste, os de São Paulo e Rio tiveram a maior proporção de receitas proveniente desses setores. No Rio, Eduardo Paes (PMDB) foi o maior beneficiado por essas empresas, que doaram 33,73% do valor arrecadado. Quando se leva em conta também a arrecadação via comitê único, a proporção é de 36,05%.

Pelos mesmos critérios, o prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), fica perto, com 30,55%. Em Belo Horizonte, o prefeito eleito Márcio Lacerda (PSB) ficou um pouco abaixo da média nacional, com 10,06%. O petista João Coser, reeleito em Vitória, no Espírito Santo, teve 14,75% da receita bancada por esses setores. Do ponto de vista legal, não há nenhum problema grave detectado nas contas. As doações foram feitas de forma pública e declaradas dentro da lei. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.