¿Não sou mais uma menina que sofreu, e, sim, uma menina feliz¿, diz garota torturada

SÃO PAULO ¿ Pela primeira vez a menina de 13 anos, que foi torturada pela empresária Sílvia Calabresi Lima, em Goiânia (GO), segundo a polícia, falou sobre o assunto em uma breve entrevista à ¿GloboNews¿. Eu não sou mais uma menina que sofreu, e, sim, uma menina feliz¿, afirmou na reportagem. A garota também disse que seu sonho é ser delegada.

Redação |


Menina apresentava vários sinais de tortura / Foto: AE

A empresária foi presa em flagrante no dia 17 de março, sob a acusação de tortura e cárcere privado. Ela manteve a garota durante dois anos em cativeiro dentro de seu apartamento no Setor Marista, um bairro nobre de Goiânia.

A garota foi adotada irregularmente por Sílvia em 2006 e, aparentemente, mantinha boas relações com a mãe biológica, que trabalhou para a empresária como doméstica.

"Ela me afogava no tanque, apertava a minha língua com alicate, enforcava com fio, e me deixava amarrada na área de serviço", disse a menina.

A prisão de Sílvia foi feita pela delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). "Nunca vi um caso assim", afirmou Adriana, que apreendeu na residência instrumentos como alicate de unha, que teriam sido usados para ferir a menina na língua, costas, mãos e pés. "Ela (a empresária) foi denunciada por vizinhos", disse.

Além de Sílvia, no apartamento, moravam três filhos dela - todos meninos, e apenas um deles menor, de 6 anos - e o marido, o engenheiro civil Marco Antônio Calabresi Lima.

Com exceção do menor, os outros poderão responder a inquérito por omissão. Segundo a polícia, eles sabiam das sessões de tortura, mas não impediram. Um dos filhos da empresária é estudante de engenharia e afirmou que todos temiam a agressividade da mãe.

A polícia também prendeu a empregada da casa, Vanísia, que se defendeu: "Ela me mandava amarrar a menina e passar pimenta nela", disse, na delegacia.

Na hora da invasão do apartamento, a menina foi encontrada com o olho roxo e apresentava um corte na língua. A garota, segundo a mãe biológica, foi dada em adoção para, assim, ter uma família, estudar e "crescer na vida". O que ela não sabia era do preço das conquistas: "Nunca imaginei que a d. Sílvia faria uma coisa dessas", disse. Segundo a polícia, a adoção foi irregular e, por isso, a menor foi conduzida a um abrigo do Conselho Tutelar.

Investigação

Na investigação descobriu-se, por exemplo, que desde 2007 a garota não freqüentava a escola. "É impossível não se comover com o caso da menina", afirmou a delegada. "Não é um caso comum, mas, infelizmente, nós (da polícia) acreditamos que existam outras situações como essas, de adoções irregulares seguidas de maus-tratos", alertou.

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