Não se pode limitar a ação da polícia com medo da corrupção, diz promotor dos EUA

SÃO PAULO - Os países devem avançar nas políticas de segurança, inclusive com a infiltração de agentes no crime organizado para a obtenção de provas. A opinião é do promotor federal dos EUA Matthew J. Bassiur. ¿Não se pode limitar a ação da polícia com medo de que ela se corrompa. Se o policial é corrupto, ele vai ser em qualquer lugar, mesmo sem poder fingir que é um criminoso.

Juliana Kirihata, do Último Segundo |

Bassiur é um dos palestrantes do curso Crime, Computadores, Perícias e Internet, que reúne em São Paulo, nesta quinta e sexta-feira, especialistas brasileiros e norte-americanos sobre segurança-pública.

O curso, que faz parte do projeto Pontes, foi criado para acelerar a aproximação entre os órgãos de segurança. A iniciativa é da Embaixada Americana no Brasil em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a Polícia Federal, o Ministério Público do Estado de São Paulo, o Tribunal Regional Federal e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Durante sua palestra, o promotor ressaltou a falta de limites dos criminosos especializados em internet: o crime cibernético pode ser tudo e qualquer coisa. Entre ações citadas por ele estão a pirataria, a pedofilia e o roubo de informações.

Fronteiras

O embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, que também esteve presente no evento desta quinta-feira, disse que as polícias dos dois países precisam partilhar mais ideias sobre segurança, já que, na opinião dele, crimes não têm fronteiras. O crime de internet é um problema crescente. Precisamos partilhar as medidas de combate, disse.

Juliana Kirihata/ Último Segundo
Para o embaixador dos EUA no Brasil, o crime não tem fronteiras

De acordo com Karine Moreno Taxman, conselheira legal da Embaixada Americana e procuradora federal dos EUA, uma das políticas brasileiras que podem servir de exemplo aos EUA é a implantação das delegacias de defesa da Mulher, que não existem no país norte-americano.

Segundo Karine, esta e outras iniciativas são discutidas, periodicamente, por um grupo de 30 pessoas que pensa em soluções sobre segurança pública. Todo mundo precisa conversar um pouco mais. Hoje os criminosos estão muito organizados, nós também temos que nos organizar.

Além das palestras realizadas nesta semana, o projeto prevê outros cursos sobre segurança ao longo de dois anos. Os próximos abordarão o combate à pedofilia e a utilização do DNA nas investigações policiais. O problema de segurança pública é de todos nós. Esse treinamento é só o primeiro, afirmou a procuradora.

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