¿Não podia algemar o suspeito¿, diz PM a amigos

Rapaz que fugiu no Jacarezinho não tinha arma ou drogas e não pôde ser algemado, contou policial a amigos. "Seria erro atirar"

Raphael Gomide, do iG Rio de Janeiro |

Os policiais militares que deixaram escapar de dentro do carro um suspeito que levavam à delegacia, quinta-feira, no Jacarezinho, desabafaram a amigos que não podiam algemar o rapaz porque ele não estava preso e não havia nada concreto contra ele.

O jovem estava sendo levado a uma delegacia para os PMs verificarem se havia algum mandado de prisão pendente contra ele quando fugiu.

“Não existe algemar o cara se ele não estava armado nem tinha drogas. A gente não podia fazer nada diferente”, disse o soldado a amigos.

A cena foi filmada e fotografada por jornalistas que acompanhavam a operação da Polícia Civil no local.

iG São Paulo
Homem foge de policiais no Rio

O cabo e o soldado contaram a interlocutores ter sido contatados por rádio para ir a uma das entradas da favela do Jacarezinho, onde haveria homens armados. Ao chegarem, o rapaz se assustou, levantando suspeita e foi abordado.

Pediram-lhe documentos e perguntaram se morava no local. Ele disse ser morador de rua e não ter nenhum documento, mas vestia roupas limpas e novas, tinha as unhas “feitas” e havia mais roupas limpas na mochila, o que deixou os policiais desconfiados.

A revista ao rapaz e à mochila não constatou nem arma nem drogas, mas ainda assim os PMs pediram que ele os acompanhasse até uma delegacia, para verificar possível mandado de prisão. O jovem concordou, sem se opor ou resistir. Como não havia nada efetivamente contra ele, não poderia ser algemado, segundo o soldado.

O carro policial tem as travas de crianças acionadas, impedindo a abertura por dentro. Assim que os dois PMs se sentaram no carro, porém, o rapaz se aproveitou da distração deles, baixou o vidro e abriu a porta pela maçaneta externa. Atravessou a rua correndo, e entrou na favela, por um beco. O soldado saiu do carro, pistola na mão, ensaiou uma corrida, mas, com o suspeito muito à frente, parou.

iG São Paulo
Suspeito aproveita distração da polícia e escapa


“Se eu tivesse disparado contra ele, teria cometido um erro, porque poria outras pessoas em risco, e responderia por isso. Se entrasse no beco, a bandidagem ia largar o aço em mim”, comentou com amigos.

Os dois policiais ficaram detidos em prisão administrativa depois que o caso foi divulgado e disseram a interlocutores estar “arrasados” com a repercussão do episódio, que os tornou motivo de chacota.

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