“Não me envergonho de meu patrimônio”, diz dono de ilha confiscada

Preso na Operação Alquimia, Paulo Sérgio Cavalcanti divulgou nota na qual afirma ser vítima de "avalanche de acusações absurdas"

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Tenho orgulho de ser um empresário de sucesso em um País com tantos entraves para o desenvolvimento do empreendedorismo”, diz empresário

Preso nesta segunda-feira (22) ao chegar ao Brasil, o empresário baiano Paulo Sérgio Cavalcanti, apontado pela Receita Federal e Polícia Federal como mentor de suposto esquema de sonegação fiscal, divulgou nota em que afirma ser alvo de “acusações absurdas” e diz não ter vergonha de seu patrimônio.

Os bens do empresário incluem uma ilha de 20 mil metros quadrados na baía de Todos os Santos, avaliada em R$ 15 milhões (sem as benfeitorias) e confiscada pelos órgãos federais na Operação Alquimia , deflagrada na semana passada. O imóvel permanece sob usufruto de Cavalcanti, mas Receita e PF deverão solicitar o seqüestro do bem à Justiça.

Cavalcanti é dono da Sasil, uma das principais distribuidoras de produtos químicos do País. No ano passado, comprou a Varient, distribuidora da Braskem, braço petroquímico do grupo Odebrecht, e consolidou sua operação nacional.

Divulgação
Ilha confiscada pela Receita e pela PF na baia de Todos os Santos: ela "é fruto de muito suor e dedicação", diz Paulo Cavalcanti
Preso em Salvador ao chegar da Europa, o empresário negou que estivesse foragido. “Estava em viagem de férias com minha família, e deixamos o País sem qualquer restrição quando de nosso embarque, há 10 dias – antes, portanto, da emissão das medidas cautelares que vinham sendo preparadas em sigilo”, afirmou, no comunicado divulgado à imprensa.

O grupo Sasil, que presta serviços para grandes empresas petroquímicas, como Braskem e Petrobras, é suspeito de montar uma engenharia empresarial, com empresas de fachada e outras sediadas em paraísos fiscais, para burlar o pagamento de impostos. O prejuízo ao erário, segundo a Receita e a PF, pode chegar a R$ 1 bilhão.

O empresário disse ser alvo de “avalanche de acusações absurdas” e se disse “pronto a apoiar a investigação”. Negou ter “ligação societária ou pessoal com empresas sonegadoras, off-shore ou não”. “A Sasil e a Varient são empresas 100% auditadas e que prezam pela transparência nas suas contas. (...) Tivemos, sim, relações comerciais de compras e vendas diversas, na década de 90, com algumas das empresas citadas no caso. Fato que não traz nenhuma imputação legal à minha empresa, por tratar-se de uma distribuidora comercial”, disse.

Confirmando a propriedade da ilha nas imediações de Salvador, Cavalcanti afirmou que seu patrimônio “é fruto de muito suor e dedicação”. “E não me envergonho dele. Ao contrário, tenho orgulho de ser um empresário de sucesso em um País com tantos entraves para o desenvolvimento do empreendedorismo.”

Após prestar declarações na segunda-feira por mais de seis horas na sede da PF em Salvador, Cavalcanti foi transferido para um presídio na capital baiana, onde deverá permanecer ao menos até o fim da prisão temporária de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Sócio e irmão de Cavalcanti, Ismael César Cavalcanti Neto também foi preso na operação e permanece detido.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG