Não haverá conflito, mas convulsão social, diz arrozeiro

BRASÍLIA - O ex-prefeito de Pacaraima e ex-presidente da Associação dos Arrozeiros Paulo Cesar Quartiero garantiu, nesta quarta-feira, que, se o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela demarcação contínua da terra indígena de Raposa Serra do Sol, não haverá conflitos no local. Entretanto, ele estima, para um futuro próximo, uma convulsão social em Roraima, agravada pela crise econômica mundial.

Carollina Andrade e Sarah Barros, Santafé Idéias |

"Está todo mundo esgotado. Estamos enfrentando questões fundiárias por causa de índios, questões ambientais e, agora, essa crise [econômica]. As pessoas estão perto da falência econômica e até da falta de aspiração de crescimento, porque não acreditam mais em nada", afirmou Quartiero ao chegar à Corte para acompanhar o julgamento, nesta manhã.

Segundo ele, a região corre o risco de enfrentar a fome e o aumento da criminalidade, com mais assalto e tráfico de drogas.

A expectativa é que o voto do ministro Marco Aurélio de Mello possa gerar um debate entre os oito ministros que já opinaram em favor da população indígena na região. "O que foi discutido até agora não corresponde à realidade factual do estado. Acho que temos que impor um pouco de bom senso e de responsabilidade e rever o que está sendo implementado", avaliou.

O julgamento da ação já foi motivo de conflitos entre índios e arrozeiros. Supostamente liderados por Quartiero, rizicultores e trabalhadores de fazendas destruíram pontes e agrediram indígenas nos últimos meses. O acirramento do conflito levou a Polícia Federal a suspender, por ordem do STF, uma ação para retirada não-índios da região, no ano passado.

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