¿Não adianta só registrar a ocorrência¿, diz delegada sobre violência contra a mulher

SÃO PAULO - A recepcionista Marina Sanchez Garnero, de 23 anos, registrou quatro boletins de ocorrência antes de ser assassinada, com quatro tiros, em uma academia na Lapa, zona oeste de São Paulo. Ela foi à polícia relatar as ameaças feitas pelo ex-namorado Marcelo Travitzki Barbosa, de 29 anos. Ela foi morta no dia sete deste mês e o principal suspeito é o ex. ¿Não adianta fazer só o boletim de ocorrência em caso de ameaças, é preciso que ela peça uma apuração, que isso vá adiante¿, diz Márcia Ducelli Salgado, coordenadora das Delegacias da Mulher do Estado de São Paulo.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

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A recepcionista Marina Sanchez Garnero, de 23 anos, registrou quatro boletins de ocorrência antes de ser assassinada, com quatro tiros, em uma academia na Lapa, zona oeste de São Paulo. Ela foi à polícia relatar as ameaças feitas pelo ex-namorado Marcelo Travitzki Barbosa, de 29 anos. Ela foi morta no dia sete deste mês e o principal suspeito é o ex.

Não adianta fazer só o boletim de ocorrência em caso de ameaças, é preciso que ela peça uma apuração, que isso vá adiante, diz Márcia Ducelli Salgado, coordenadora das Delegacias da Mulher do Estado de São Paulo.

Segundo ela, não existem estatísticas sobre quantas mulheres vão adiante após registrar o boletim. Ela ainda não avalia a gravidade do problema que vive. A lei Maria da Penha permite que as mulheres peçam medidas de proteção. O que elas não podem fazer é abrir mão disto, diz Márcia. O problema é que elas não acreditam que o agressor seja capaz de concretizar as ameaças. Na maioria dos casos, afirma Márcia, elas acham que ele vai mudar, porque ele promete para elas. Mas toda mulher sabe o risco que corre.

A coordenadora conta que, caso a mulher use a lei a seu favor, é possível afastar o agressor. Em casos extremos, onde existe risco de morte, há abrigos para onde estas mulheres podem ser encaminhadas, conta. Nestes casos, o serviço de proteção à testemunha também pode ser solicitado.

Márcia sugere que as mulheres procurem conversar com outras pessoas sobre o assunto e não escondam que estão sendo agredidas. Quem está de fora consegue enxergar melhor o problema, afirma ela. Para que o agressor seja preso, é preciso ter um flagrante, especialmente se ele estiver portando arma.

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha considera como violência contra a mulher qualquer tipo de violência física, psicológica (não definida como crime), sexual, patrimonial ou moral. Com a lei, a mulher que sofre violência ganha direito a atendimento policial especializado (nas Delegacias de Atendimento à Mulher) e o policial que a receber tem o dever de garantir sua proteção policial, encaminhá-la ao hospital e transportá-la para um local seguro.

Mas não é a polícia quem decide sobre as medidas de proteção. Um juíz é quem determina quando ela está em situação de violência doméstica. Colocada nesta condição, ela pode, de acordo com a lei, se afastar do local de trabalho por até seis meses, mantendo o vínculo trabalhista, ser encaminhadas para abrigos e ter seu patrimônio preservado. Estas medidas também podem ser aplicadas ao agressor, que pode ter a suspensão do porte de armas, ser afastado do lar e proibido de se aproximar da vítima.

Prevenção

O Centro de Valorização da Mulher mapeia, em seu site, algumas maneiras de identificar um possível agressor, mas lembra que nada acontece como uma receita de bolo, cada pessoa é completamente diferente da outra. Um sinal que pode ser apontado logo quando se conhece um homem é o comportamento controlador. De acordo com o centro, um possível agressor passa a vigiar a mulher com o pretexto da proteção.

As mulheres devem se prevenir também de alguns comportamentos que indiquem que a pessoa é violenta. Se ele a agride verbalmente, tem expectativas irrealistas sobre ela, é muito sensível quando ofendem seus sentimentos ou revela crueldade com animais e crianças, ela deve ficar atenta. E, é claro, se ele já abusou de alguém no passado, a mulher deve pensar duas vezes antes de embarcar em um relacionamento.

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