Na TV, Kassab se diz vítima de apelação de Marta

SÃO PAULO - Está apelando. É inveja.

Valor Online |

" "É baixaria." "Ela não tem competência então vai para o lado pessoal." Com essas declarações feitas por entrevistados, a campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM) respondeu às insinuações sobre sua vida pessoal feitas em propaganda da campanha de Marta Suplicy (PT), na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Além de reclamações de eleitores, a equipe de Kassab usou parte do programa no horário eleitoral gratuito com a exibição de reportagens, artigos e editorais publicadas ontem em diversos jornais para atacar o PT.

As críticas à propaganda da campanha de Marta foram anunciadas por um locutor, que disse que os petistas estão partindo para a baixaria e que isso "deixou a cidade indignada". Na propaganda, as perguntas feitas pela campanha do do PT sobre a vida pessoal de Kassab foram associadas à estratégia de Fernando Collor de Mello, em 1989, de atacar a vida pessoal do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. A propaganda petista veiculada no domingo e na segunda-feira questiona se o prefeito é casado e se tem filhos.

Durante o dia de ontem, Kassab questionou a estratégia de sua adversária, que considerou como de "baixo nível". Ao participar de sabatina do jornal "Folha de S. Paulo", ele disse que a propaganda foi uma "falta de respeito", e "mostrou o desespero da adversária". "Não tenho quase nada a declarar a não ser lamentar o nível que a minha adversária tentou imprimir na campanha", comentou ontem.

O prefeito afirmou ainda não acreditar que Marta não soubesse da propaganda - ela disse ontem que a campanha era de responsabilidade do seu marqueteiro. "Se ela não sabe quais são as suas propostas que estão sendo levadas para a opinião pública, ela não está preparada para ser prefeita (...) Ela é a candidata e teria que ter desautorizado." O candidato afirmou ainda que não tem "constrangimentos" quanto à sua vida pessoal. Questionado se era homossexual, respondeu: "Não, não sou". Em seguida, brincou com a polêmica gerada e disse nunca ter sido tão cobiçado pelo público feminino. "Está cheio de mulher querendo casar comigo agora."
Segundo a equipe de Kassab, a estratégia de Marta revela a preocupação com a derrota do PT na cidade. Hoje será divulgada pesquisa Ibope indicando Gilberto Kassab com 51% dos votos e Marta Suplicy, com 39%, de acordo com informações divulgadas pelo blog do jornalista Ricardo Noblat.

A propaganda foi proibida pela Justiça de ser exibida. O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, vetou o PT de transmitir na publicidade eleitoral gratuita "expressões com questionamentos vagos, fugindo do direito de crítica político-administrativa" e deu ao prefeito um minuto de direito de resposta no rádio. O juiz eleitoral entendeu que a publicidade pode causar dúvidas no eleitor, dando a entender que Kassab possa ter algo "escuso" no passado que o "descredenciaria" como candidato.

A polêmica foi às ruas e um grupo de cabos eleitorais de Marta ofendeu com insultos homofóbicos um casal de eleitores de Kassab logo depois da passagem da candidata por um posto de gasolina no bairro do Cambuci. "O Kassab é viado! Vocês vão votar em viado!", gritava uma apoiadora de Marta que não quis se identificar. Ao saber da confusão Marta pediu desculpas ao casal e deu o assunto por encerrado. "Falta de educação existe em qualquer lugar. Peço desculpas ao casal. O que tinha que falar sobre isso já falei", disse.

Além de perguntas sobre sua vida pessoal, Kassab foi questionado na sabatina sobre suas antigas alianças com os ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta (PTB). Ele disse que não se arrepende de ter apoiado Maluf, mas negou ter participado do movimento "Reage Pitta". Kassab negou que deixará a prefeitura em 2010 para disputar o Estado, caso seja reeleito, mas defendeu a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência. O DEM apoiará o tucano em 2010 e ajudará o PMDB no Senado.

Na propaganda do horário eleitoral gratuito exibido ontem à noite, antes de responder ao PT, a equipe de Kassab atacou a gestão de Marta Suplicy (2001-2004) por não ter entregue moradias aos mais pobres. O prefeito e candidato à reeleição fez um aceno à população mais carente, a quem disse que entregará mais habitações e urbanizará favelas.

A campanha de Marta mostrou, na televisão, que a ex-prefeita deixou encaminhada a construção das principais bandeiras da gestão de Kassab, como o hospital do M'Boi Mirim e Tiradentes. "Kassab deu apenas continuidade", disse o locutor. O PT questionou ações da prefeitura, como a entrega de remédios em casa. "Você conhece alguém que recebe remédio em casa? Você está satisfeito com a saúde?", questionou o apresentador.

Marta não fez nenhuma crítica direta ao prefeito, mas disse ter recebido a prefeitura "como se uma praga de gafanhotos" tivesse passado antes. Na propaganda, a ex-prefeita reclamou de "medidas improvisadas" do governo de Kassab para melhorar o trânsito e um locutor disse que "a vida real é bem diferente do que Kassab mostra na propaganda". Na abertura do programa petista, o slogan "a esperança vai vencer de novo" foi exibido. A candidata do PT exibiu apoios políticos dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça), e do escritor Fernando Morais.

(Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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